10 de julho de 2026
INDIGNAÇÃO

Centro vira 'alojamento' para moradores de rua e revolta francanos

Por Ingrid Silva | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Ingrid Silva/GCN
Homem e seus cachorros moram na praça Nossa Senhora da Conceição, no Centro de Franca

Franca vem sofrendo há meses com a aglomeração de moradores de rua, que ultimamente estão espalhados por toda a cidade. A lista de bairros e lugares que estão servindo de moradia para pessoas em situação de rua é extensa.

No começo deste mês, cerca de 20 pessoas invadiram a antiga capela no Jardim Bueno, imóvel que foi devolvido à Prefeitura de Franca. Em outro ponto, na Estação, após a limpeza e cercamento do prédio da Mogiana, algumas pessoas em situação de rua foram orientadas a aderir a programas sociais oferecidos pela Prefeitura, como o Moradia Primeiro, que auxilia com o pagamento de aluguéis de imóveis.

A Praça Nossa Senhora da Conceição, localizada no centro de Franca, é famosa por ser o cartão postal da cidade com o “Relógio do Sol”. Mas atualmente é famosa por ser mais um ponto de moradia para pessoas em situação de rua.

O local tem sido alvo de reclamações dos moradores, taxistas e lojistas que estão pela praça diariamente, que relatam tentativa de roubo, insegurança, brigas entre moradores de rua e muito tumulto.

Relatos
Lucas Souza, balconista de uma farmácia, relata que os moradores de rua estão por lá todos os dias, e sempre pedindo dinheiro para clientes. “Todos os dias eles estão aqui pedindo dinheiro. Os clientes ficam incomodados com a situação e reclamam muito pra gente, fala que está insuportável a situação”, explicou a balconista.

Segundo Lucas, são muitas pessoas em situação de rua naquele local. Ele ainda pontua que muitas vezes eles são encontrados em grupos pela praça. Tentativas de furtos também foram relatados pelo balconista: "Tive que conter uma moradora de rua, até conhecida, vem sempre aqui, experimenta os batons do provador, mas teve um dia que tentou levar”.

A praça é uma área pública de lazer, que era para ser agradável para toda a família, mas que ultimamente deixou de ser frequentada por senhoras que moram aos arredores da praça central. Esse incômodo todo gerou a mudança de uma professora aposentada de 68 anos.

A professora, que não quer ser identificada, relata que a quantidade de pessoas em situação de rua era menor antigamente. “Teve um aumento absurdo, cada dia uma cara nova, a Prefeitura dava assistência antigamente, agora você liga e é jogo de empurra para todo lado. O problema dos moradores de rua só muda de lugar, precisa solucionar o problema, eu me mudei para ter paz e uma qualidade de vida melhor, porque era um tormento”, desabafou a professora.

Programas
São atendidas atualmente pelo projeto Moradia Primeiro 105 pessoas. Os serviços de Acolhimento, Abordagem Social, Espaço Dignidade e Moradia Primeiro apresentam condições de atender todas as pessoas em situação de rua, segundo a prefeitura.

A Secretaria de Ação Social explica que os moradores seguem sendo atendidos pelos serviços de assistência social. A maioria deles está no Projeto Moradia Primeiro e nos serviços de acolhimento.

O órgão esclareceu que os moradores não migraram para outras áreas da cidade, e que as pessoas que continuam em situação de rua são aquelas que fazem uso abusivo de entorpecentes.