Não só os pacientes sofrem com a falta de vagas de internação em ambiente hospitalar em Franca. Os familiares, sem alternativa para liberação de um leito, também relatam a angústia e demora para um atendimento adequado.
Felipe de Almeida, de 29 anos, está com dores fortes no abdômen há quatro meses. Desde então, o rapaz tem que ir todos os dias na UPA do Jardim Aeroporto para tomar a medicação e aliviar o sintoma, mas até agora não descobriu qual é de fato o seu diagnóstico. Os médicos já solicitaram tomografia, ressonância e endoscopia, mas com o atraso na rede pública, a família teve que pagar os dois primeiros exames.
“Agora a gente não tem mais como pagar, e na Secretaria de Saúde marcaram a endoscopia só para daqui 40 dias, sendo que o médico solicitou urgência. Acaba a medicação, a dor volta, e nisso nem pediram a internação para que ele possa, de fato, saber o que tem. Na situação que ele está, não tem como eu esperar mais um mês”, disse Sielen Scott, mulher de Felipe.
Em resposta, a Prefeitura afirmou que o paciente segue assistido na rede ambulatorial da rede pública, com consulta agendada com pneumologista em agosto e endoscopia marcada para 22 de setembro.
Em outra família, o drama é parecido. Sirley Amaral é mãe de uma menina de apenas 5 anos que também sofre com dores abdominais fortes desde o último domingo, 14. Sirley levou a filha na UPA por quatro dias, e somente nessa quarta-feira, 17, a criança passou por um pediatra que solicitou uma vaga de internação.
“Desde domingo estou vindo todo dia na UPA e nada. Somente ontem à noite que encaminharam ela para a Santa Casa com dor no abdômen e até agora ela não conseguiu transferência e está gritando de dor”, falou a mãe.
Sirley procurou até o DRS (Departamento Regional de Saúde) para tentar agilizar a liberação da vaga, já que no último exame foi constatada uma alteração no fígado da criança.
A Prefeitura confirmou que as equipes do atendimento de emergência já pediram pela transferência da menina, mas sem previsão de liberação de vaga.