10 de julho de 2026
DENÚNCIA

Paciente acusa dermatologista de erro médico; profissional nega

Por Higor Goulart | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Arquivo pessoal
A designer de sobrancelhas após o procedimento de blefaroplastia

O médico dermatologista Ricardo Bovo Junqueira é acusado por uma designer de sobrancelhas, de 49 anos, de erro médico, após realizar procedimento de blefaroplastia na paciente. De acordo com a acusação, a mulher teve danos permanentes na sua visão. O médico, por sua vez, diz que não houve erro médico e que a perda foi causada em razão de reações do próprio corpo.

Conforme a denúncia, protocolada pelo advogado Márcio Cunha no Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), “por volta de outubro de 2020, a paciente conversou com o dermatologista e disse que estava com baixa autoestima, pois estava com excesso de pele nas pálpebras. Assim, na mesma hora, o Dr. Ricardo disse que realizava o procedimento”.

Após as conversas iniciais, a paciente resolveu esperar para realizar a cirurgia por falta de dinheiro e tempo. Neste ano, então, eles acordaram a forma de pagamento e marcaram a cirurgia para o dia 10 de fevereiro.

Ainda de acordo com a denúncia, a paciente chegou no consultório particular do médico às 9h30, com previsão para início às 10h e término às 12h30. Mesmo anestesiada, a mulher diz que recorda de certos momentos da cirurgia, “que foi iniciada no olho direito e seguiu para o olho esquerdo. Neste momento, a paciente sentiu uma dor fora normal (...) juntamente com um barulho interno que pareceu um estouro de pneu”. Após se queixar dos sintomas, o médico optou por aplicar nova anestesia, conforme a denúncia.

Como a cirurgia estava prevista para terminar às 13h30, o companheiro da denunciante compareceu a clínica, onde lhe teria sido informado que a paciente “teve um pequeno sangramento". O rapaz teria entrado na sala de cirurgia, onde se assustou com o estado da companheira. “A equipe médica não liberou a paciente, alegando que ela havia tido apenas uma hemorragia e que ela deveria permanecer”, seguiu a denúncia.

O companheiro da paciente precisou ir embora e então chamou a filha dela para ir até o consultório médico. Pouco tempo após a chegada da filha, o médico liberou a designer de sobrancelhas.

Ao chegar em casa e se trocar, a paciente relata, conforme a denúncia, que seu olho teria caído da sua cavidade ocular. Com isso, a filha da mulher teria entrado em contato com a secretária do médico, que pediu que elas retornassem ao consultório para um novo curativo. Por volta das 17h30, elas foram até o local, onde profissionais de enfermagem realizaram a limpeza do olho, enquanto, posteriormente, o médico teria aplicado uma injeção e dado remédios à paciente.

Após algumas horas, a família, que acompanhou a paciente durante o início da noite, disse que um outro cirurgião teria ido até o local para realizar o reparo da cirurgia feita pela manhã. “O profissional realizou alguns procedimentos, como abrir o corte e cauterizar vasos”. Momentos depois, a denúncia relata que uma oftalmologista também atendeu a mulher.

Na sequência dos dois atendimentos médicos, é relatado que o primeiro cirurgião percebeu que não seria mais possível realizar a correção no consultório, sendo necessário ir até um hospital. Foi, então, assim que, segundo a família, o dermatologista Ricardo Bovo chamou uma ambulância para levar a paciente até um hospital particular.

No hospital, a paciente passou por uma cirurgia de correção, mas, mesmo assim, teria ficado sem visão no olho esquerdo.

Ainda conforme a denúncia, a mulher passou por novas consultas com a médica que realizou a correção, onde foi informado que ela não poderia mais praticar algumas atividades, como cozinhar, praticar exercícios e nadar.

Por conta de toda a situação e falta de acordo, já que a paciente teria tentado um acordo amigável entre as partes, a mulher acusa o médico de erro médico.

Defesa do médico
Em nota enviada pelo médico Ricardo Bovo Junqueira e seu advogado Marlo Russo, o dermatologista nega que tenha cometido qualquer erro durante os procedimentos. “A assistência a ela se deu de forma profissional e adequada”.

“A cirurgia transcorreu normalmente, com resultados finais satisfatórios, sem que tenha havido qualquer complicação ou acidente cirúrgico durante o procedimento. No entanto, a paciente apresentou uma intercorrência grave, no pós-operatório imediato, que, no entanto, foi atendida com sucesso”, seguiu a nota.

Segundo o médico, a intercorrência não aconteceu por conta de falha na atuação do profissional, mas sim por uma reação orgânica da paciente. “Infelizmente, há riscos inerentes a todo e qualquer procedimento, que fogem ao controle do médico, e também problemas que surgem em razão de atos e omissões do próprio paciente”.

O médico e o advogado ainda esclarecem que não foram procurados pela Polícia Civil nem pelo Cremesp.