O Banco Central da República Argentina anunciou, no dia 27 de junho, restrições nas importações do país. Conforme o órgão anunciou, entre junho e setembro, os pagamentos das mercadorias importadas só serão liberadas após seis meses, como forma de conter o avanço do dólar no país.
A decisão afeta diretamente o setor calçadista em Franca, já que os "hermanos" são o terceiro principal destino comercial do setor. Durante o primeiro semestre de 2022, US$ 2,3 milhões foram negociados entre o país vizinho e Franca, segundo dados do ComexStat - plataforma do Governo Federal que reúne dados de exportações e importações.
Para o presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão, a situação limitará temporariamente as exportações e deve trazer graves prejuízos a alguns produtores. "É uma situação extrema do fluxo de caixa argentino, que vem para prejudicar os nossos negócios com aquele país. Principalmente aquelas fábricas que destinam suas exportações com foco exclusivo a Argentina serão gravemente afetadas".
Como maneira de evitar maiores danos, a sugestão de Brigagão é de que as fábricas aproveitem outros destinos, como Chile, Colômbia, Bolívia e Panamá.
"O setor exportador de Franca terá que direcionar sua produção para outros países do Mercosul (Mercado Comum do Sul) e América Latina, já que a situação econômica da Argentina permanecerá instável".
Mesmo com um dos destinos comercias afetados, Brigagão projeta um ótimo segundo semestre para a indústria calçadista. "Não acreditamos que essa situação possa afetar o total geral de nossas exportações, que em 2022 devem atingir US$ 87,7 milhões", finalizou.