“Sinto dores 24 horas, tenho muito sangramento e não consigo trabalhar”. As palavras descrevem o sofrimento vivido por Amablia Souza Batista Silva, de 31 anos. Com uma rotina de exames médicos há cinco anos, a francana tem um tumor benigno e aguarda a retirada de útero pela rede Hebe Camargo. Enquanto isso, enfrenta problemas financeiros e vende doces para pagar as dívidas que somam R$ 1,5 mil.
As dores e o sangramento intensivo começaram em 2017. Amablia foi à médica, fez o exame de Papanicolau e passou uma pomada recomendada. Com uma alteração detectada, o caso foi transferido para Casa da Mulher para fazer uma biópsia, onde o resultado não foi o esperado. “Fiz e a mulher falou que não tinha dado nada, e continuei com dor e sangramento”.
A mulher voltou ao ginecologista no ano seguinte. Após outro Papanicolau e ultrassom, a médica falou que eram normais os sintomas e perguntou se tinha outros parceiros sexuais. "Sou casada, e não tenho problemas com traição, nem da minha parte nem na parte do meu marido".
Amablia fez o tratamento com a pomada indicada pela médica. Ainda assim, a rotina de exames não parou nos anos seguintes. "Fiz o tratamento, e só foi piorando. Sentia muita dor por dentro. Não conseguia nem andar".
Sem aguentar mais as dores e a falta de solução, Amablia pagou uma consulta particular no ano passado. "Falei que era laqueada e tudo mais. Paguei ultrassom e o Papanicolau. Ele me encaminhou para uma doutora. Ele disse que eu tinha um tumor no útero".
A moradora da Vila Industrial pagou endoscopia e biópsia. A médica deu uma carta pedindo histeroscopia. "A histeroscopia é muita cara. Consegui trocar os papéis, me mandaram para o AME (Ambulatório Médico de Especialidades) e o Ame falou que não fazia (o exame)".
Segundo ela, após muito briga, foi encaminhada para o Hospital das Clínicas da capital paulista, onde fez o exame duas vezes. "A médica de São Paulo falou que não tinha dado nada. Disse para procurar minha médica para dar seguimento no tratamento".
Amablia procurou a UBS (Unidade Básica de Saúde) do Jardim Ângela Rosa e explicou toda situação. A médica pediu um exame chamado de conização do colo do útero. "Fui até a Secretaria Municipal de Saúde e não consegui marcar. Mandaram-me para o ambulatório Santa Casa, onde me pediram os mesmos exames e não consegui marcar".
A ida e volta não terminava. Ao retornar na Secretaria de Saúde, conseguiu marcar em um posto de saúde no Centro de Franca. Ainda segundo Amablia, enquanto fazia a biópsia, a médica falou: "Essa parte aqui que tem que ser biopsiada, não é a outra".
No mês passado, ao ver o resultado do exame, recebeu a triste notícia que estava com um tumor benigno. Podendo evoluir para o maligno, ela foi encaminhada para a rede Hebe Camargo para a retirada do útero. "Fui, dei entrada e ninguém até agora não falou nada. Ninguém fez nada para me ajudar".
Apesar dos problemas, Amablia tentou voltar aos afazeres. "Fui trabalhar esses dias num bico, não consegui (...) saí do serviço e fui para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento), cheguei às 3 horas e tomei 300 ml de Tramal. Minha vida é só deitada".
Enquanto não é chamada para fazer a cirurgia, o sentimento é de impotência por não conseguir fazer nada. "Começou tudo com policisto, foi indo e agora já está com um câncer benigno".
Rede Hebe Camargo
A rede de combate ao câncer informou que o agendamento de consultas de especialidades é responsabilidade das prefeituras. “Cabe reiterar que os municípios possuem autonomia para agendar os pacientes e definir os casos prioritários”.
Prefeitura de Franca
A Secretaria Municipal de Saúde disse que a consulta para avaliação cirúrgica da paciente Amablia Souza Batista Silva está marcada para o próximo dia 8 de julho, no Hospital do Câncer de Franca.
Problemas financeiros
Além dos problemas de saúde, Amablia e sua família estão passando por dificuldade financeira. A única renda da casa é do marido Jhefferson Jesus da Silva, 32 anos, que recebe auxílio doença. Mecânico de manutenção de canos de tubulação, trabalhou desde o início das obras de captação de água do Rio Sapucaí-Mirim. Com um desgaste na cabeça do fêmur, precisou colocar uma prótese e está afastado desde o final do ano passado.
O auxílio doença recebido pelo marido não é o suficiente para arcar com as despesas da casa na Vila Industrial, onde mora o casal e suas quatro crianças. As dívidas estão por volta de R$ 1,5 mil, sendo R$ 900 de elétrica e R$ 600 de aluguel.
Para ajudar a fechar as contas no final do mês, a família está vendendo doces de canudinho para ganhar uma renda extra.
Os interessados em ajudar podem entrar em contato pelo telefone/Whatsapp (16) 98151-8691. A chave pix da família é o telefone (16) 99440-4354. A conta está registrada no nome da Amablia na Caixa Econômica Federal.