O mês de maio de 2022 se tornou o mais violento dos últimos cinco anos em Franca. Com 548 casos registrados - cerca de 18 por dia - de roubos e furtos, o mês só perdeu para o maio 2017, quando 620 crimes de foram registrados. Os dados são do levantamento feito pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP).
Os crimes são diversos e acontecem em todos os bairros, mas as regiões do Centro e da Estação lideram o ranking, com 189 casos registrados.
Os bandidos parecem não se importar com nada. Os crimes que vão de furto a casa em reformas a roubo de joalheira, como o que aconteceu no Centro, em plena luz do dia.
Em ambos os casos, ninguém foi preso.
O aumento nos índices de violência preocupa e deixa a sensação de segurança cada vez mais baixa. Esse é o caso de um representante comercial, que após um furto em sua casa, não consegue ficar muito tempo fora de casa.
"Eu estava viajando, quando os criminosos agiram. Cheguei em casa e não vi o carro na garagem. Foi um susto. Nunca tinha acontecido isso antes. Me senti impotente, invadido, uma sensação horrível. E você sabe que não pode fazer nada", disse a vítima, que preferiu não se identificar.
"Agora, qualquer barulho a gente se assusta. Tem hora que preciso sair, aí me dá uma sensação ruim. Tenho que ir correndo até em casa pra ver se está tudo bem", contou o representante.
No caso dele, os bandidos levaram um carro, televisores, computadores e várias outros pertences, além de terem ficado por dois dias no imóvel, porque a vítima estava viajando.
Os bandidos também não perdoam unidades prestadoras de serviços como escolas e UBSs (Unidades Básicas de Saúde).
A situação chegou a um ponto que até a Abifran (Associação das Administradoras de Bens Imóveis de Franca) se pronunciou sobre o aumento de crimes.
Segundo a associação, as casas vazias para alugar ou vender estão sendo alvos constantes de ladrões que levam tudo das residências.
De acordo com os dados da SSP, o que fez os índices de violência aumentarem foram os casos de furto, com 445 crimes registrados em todo o mês de maio.
Segundo o delegado Márcio Murari, responsável pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais), o aumento está preocupando a Polícia Civil.
“Esse aumento de furtos, roubos e assaltos à mão armada tem nos preocupado bastante. Nós, da DIG, temos feito reuniões com o (delegado) seccional, o doutor Wanir (José da Silveira Júnior), sistematicamente, pedindo um empenho da investigação policial para descobrir os autores”, afirmou o delegado.
Murari afirma que, apesar do empenho tanto da Polícia Civil quanto da Militar, as leis que não deixam criminosos que praticam o furto, por exemplo, na cadeia, são um dos motivos para que os bandidos se sintam impunes.
“Infelizmente, a nossa legislação hoje facilita a atuação criminosa. Tenho 31 anos de polícia. Fazemos plantões de 12 horas. Aí, a Polícia Militar apresenta o autor de furto, demoramos três horas para fazer o auto de prisão em flagrante e, na manhã seguinte, ele é submetido a audiência de custódia, que nada mais é ver se o autor ou réu foi agredido”.
“Em seguida, o juiz tem a obrigação de deliberar se ele vai ficar preso ou não. Isso não é culpa do juiz, porque ele tem que cumprir a lei, e a lei é essa. A nossa legislação, hoje, determina a prisão somente para casos que envolvam violência, grave ameaça ou que o autor tenha uma longa ficha criminal. Cansamos de prender bandidos que furtam carros, furtam fios e no dia seguinte estão nas ruas. Infelizmente é a lei”, concluiu.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o policiamento em todas as regiões da cidade tem sido reforçado para que os crimes sejam evitados.