11 de julho de 2026
POLÍTICA

Lira reúne Bolsonaro, Moraes, governistas e oposição em jantar para Gilmar

Por Marianna Holanda e Danielle Brant | da Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min
Marina Ramos/Câmara dos Deputados
O jantar foi uma homenagem do presidente da Casa, Arthur Lira (foto), aos 20 anos de Gilmar Mendes no STF

Um jantar realizado na Residência Oficial da Câmara dos Deputados na noite desta quarta-feira (22) reuniu integrantes dos três Poderes, incluindo o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

O magistrado, relator de inquéritos com Bolsonaro e seus aliados como réus, é um dos principais alvos do presidente.

Este é o primeiro encontro dos dois desde que o chefe do Executivo passou a se queixar publicamente de uma quebra de acordo com parte do ministro, no ano passado -fato que Moraes e o ex-presidente Michel Temer, que presenciou a conversa, negam.

O jantar foi uma homenagem do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), aos 20 anos de Gilmar Mendes na Corte. Além dele, também participaram o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), os ministros Ciro Nogueira (Casa Civil) e Anderson Torres (Justiça) e parlamentares da oposição, como o líder do PT na Câmara, Reginaldo Lopes (MG).

Segundo participantes do jantar, o presidente do STF, Luiz Fux, não compareceu, assim como os ministros Luis Roberto Barroso e Edson Fachin, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), e as ministras Rosa Weber e Cármen Lúcia.

O ministro Ricardo Lewandowski teria feito discurso em homenagem ao colega de corte durante o jantar, com aceno à democracia, segundo relatos.

Bolsonaro tem lançado dúvida sobre as eleições, insistindo em questionar o sistema de contagem de votos. Nas pesquisas de intenção de voto, o mandatário está em segundo lugar, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Quando questionado se respeitaria o resultado das urnas, caso não indique sua reeleição, Bolsonaro disse, em mais de uma ocasião, que não responderia à pergunta.

Um dos temas recentes de embate entre o presidente e o TSE diz respeito à contagem simultânea nas eleições. Bolsonaro defende que seja feita uma apuração paralela dos votos, mas Fachin já rebateu, alegando que essa contagem já é feita. O ministro ainda afirmou que age por motivação política ou desconhecimento técnico quem questiona o trabalho da Justiça Eleitoral.

O TSE será presidido nas eleições por Alexandre de Moraes, e a tensão entre os dois pode alcançar o seu pico durante o período eleitoral.

O embate começou ainda em 2019, com a abertura do inquérito das fake news, teve picos em 2020, chegou perto de uma crise institucional no 7 de Setembro de 2021, mas deve alcançar seu pior momento neste ano.

Entre aliados do presidente, a notícia-crime de Bolsonaro contra Moraes protocolada em maio no STF e na Procuradoria-Geral da República foi vista como a sinalização do futuro auge da crise, uma vez que é classificado como estratégia para desacreditar o processo eleitoral.

Moraes foi chamado de líder da oposição por Bolsonaro, que também disse que eles teriam feito um suposto acordo, que envolveria aliados bolsonaristas réus em inquéritos sob a alçada do ministro, à época dos atos de raiz golpista de 7 de Setembro.

O ministro não comentou as declarações do chefe do Executivo. Mas o ex-presidente Michel Temer, que presenciou a conversa dos dois após as manifestações, negou o que Bolsonaro tem dito.