Ruas de terra com buracos, pedras e declives. Falta de serviços básicos como correio e saneamento básico. Pontes derrubadas e abandonadas. O cenário não é retrato de alguma currutela incrustada nas regiões mais pobres do país. Muito pelo contrário, tudo isso faz parte da rotina dos moradores de um bairro de Franca. No Parque dos Ipês, tudo é precário. Cansados, os moradores se uniram e criaram uma associação para lutar pela melhoria das condições de vida de quem tem seu lar no Parque dos Ipês.
Itamar Siqueira Pereira, 69, foi bombeiro por 30 anos. Agora reformado, tomou a frente da briga como presidente da Ampi (Associação de Moradores do Parque dos Ipês) e encara a burocracia da prefeitura para levar uma vida mais digna a seus vizinhos, “A partir do momento que a gente montou essa chapa e conseguiu registrar tudo certinho, começamos a pedir correio, placas de rua, ônibus... Tudo o que as pessoas da cidade tem, a gente precisa ter também”, afirma.
As ruas carecem de pavimentação. Desformes e cheias de pedras, representam uma dificuldade para quem trafega pelo bairro com seus veículos. Rui Amires De Martino Júnior, 56, tesoureiro da associação, diz que a falta de infraestrutura básica nas ruas provoca muitos acidentes. “O que nós estamos pleiteando é realmente ser um bairro. Queremos segurança pública e sinalização nas ruas. Aqui tá meio abandonado, principalmente nos finais de semana. É importante ter um redutor de velocidade por aqui”, diz o tesoureiro. “A gente precisa de mais respeito da Prefeitura de Franca, com placas, asfalto, ônibus, tudo o que um bairro deveria ter”.
Siqueira reforça sobre os riscos da falta de sinalização e alerta com relação aos perigos da rua que dá acesso ao Parque dos Ipês, “Aqui acontece muito acidente, principalmente na entrada do Paiolzinho. Para chegar até aqui, naquele cruzamento, precisava muito ter uma placa de 'pare', uma sinalização correta. Tem muitas ruas aqui que a gente nem sabe de quem é a preferência”, reclama.
De acordo com os moradores, duas das três pontes que interligam o bairro estão aos pedaços. A manutenção, que deveria ter sido realizada, foi adiada por conta da pandemia, no começo de 2020. A verba da manutenção foi destinada para o combate do Covid-19.
A prefeitura sinalizou com novas datas para a manutenção, mas os moradores estão descrentes. “Falaram que vão arrumar apenas no segundo semestre de 2022. Pode ser qualquer mês desse segundo semestre, de julho a dezembro, então vamos ficar assim até Deus sabe quando”, ironiza Itamar.
Uma das ruas sem pavimentação e, ao fundo, o lugar de uma das pontes destruídas
Um grupo, formado pelo secretário de Infraestrutura, Nicola Rossano; do Meio Ambiente, Rui Engrácia; da Cetesb e do Ministério Público tem se reunido em busca de uma alternativa. Os maiores entraves são a documentação da Cetesb e uma voçoroca dentro da área do condomínio.
Mais uma reunião, nesta terça-feira, 21, está programada para buscar uma solução para a parte documental. Depois de superado este problema, a prefeitura fará os estudos para a recuperação das vias. Ainda assim, as dificuldades de quem mora no Parque dos Ipês não devem ter solução rápida. Como a área é privada, a prefeitura não pode custear os investimentos necessários, que terão que ser assumidos pelos próprios moradores, via "contribuição de melhorias".
Confusão desde o princípio
Os problemas que afligem os moradores do Parque dos Ipês são antigos e remontam ao início da ocupação da área. O condomínio, que tem origem nos anos 80, há quase 40 anos, foi feito de forma indevida e nunca teve sua documentação regularizada. É como se o bairro não existisse, o que explica porque serviços como os correios não operam por lá.