09 de julho de 2026
PANDEMIA

Medo e insegurança 'mantêm' máscaras ainda em uso

Por Kaique Castro | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo/GCN
Usar ou não a máscara de proteção: dilema da população após aumento das internações

Depois de dois anos sendo item obrigatório por causa da covid-19, desde março deste ano a máscara passou a ser opcional em todo o Estado de São Paulo. Mesmo assim, a insegurança causada pelo aumento nos índices de infectados em todo o país, recentemente, faz com que parte da população de Franca se mantenha fiel às máscaras.

De acordo com a Prefeitura, entre os dias 11 e 17 de junho, 969 casos e quatro óbitos foram confirmados pela Vigilância Epidemiológica na cidade.

Com os números de mortes e casos em um alto patamar, a insegurança ainda está presente em parte da população. A professora Marisa Souza Cortez, de 52 anos, usa a máscara mesmo em locais abertos. Para ela, a desobrigação do uso do item foi imprudente e antecipada.

“Eu ainda sinto muito insegurança, então, quando saio, utilizo a máscara. Faço caminhada todos os dias, e mesmo sendo em local aberto, coloco máscara. Não me incomodo com as pessoas sem máscaras, mas eu previno e utilizo. Acho que em lugares fechados, deveria permanecer obrigatório o uso de máscaras. Eu tomo todos os cuidados, estou com as doses (da vacina) em dia, mas ainda estou com medo”.

Para a enfermeira Milene Capel, de 42 anos, o medo da doença é o mesmo, mas as circunstâncias são outras. “Já peguei duas vezes covid-19. Na primeira, ainda não tinha vacina, e na segunda tive mais sequelas, como perda o olfato e queda de cabelo. Tenho muito medo de contrair o vírus novamente. Com essas variantes, a gente nunca sabe se está realmente protegido só com as vacinas, então prefiro continuar usando máscaras em lugares de muito movimento”, contou.

A desobrigação do uso das máscaras em locais abertos e fechados foi decretada em março pelo então governador João Doria (PSDB). Quase três meses depois, em meio à alta de 120% nas internações por covid-19 em maio, o comitê de saúde do governo recomendou, sem obrigar, o uso do item em locais fechados.

A dona de casa Silvania Aparecida Nogueira Sousa, de 51 anos, diz que seu medo é ligado ao descuido de outras pessoas, que não se preocupam em se proteger.

“O pessoal vai a festa, show, lugares de aglomeração e escola, e não se cuida. Não dão muita importância. Pensam que, porque estão vacinados, a doença não existe mais. Meu filho continua usando na escola onde estuda, ele até reclamou, mas eu fiz ele usar mesmo assim, e os professores não pararam de usar. Eu tenho muito medo. Meu filho e eu temos baixa imunidade, então, temos que continuar usando”, disse a dona de casa.

Ainda segundo Silvania, deveria ser obrigatório o uso de máscaras em supermercados e escolas. Atualmente, no Estado de São Paulo, é obrigatório o uso do item em áreas de saúde, como hospitais e UBS (Unidades Básicas de Saúde), interior de ônibus e prédios do Ministério Público e da Justiça.

A Prefeitura de Franca não sinalizou o retorno de obrigatoriedade de máscaras em espaço fechado e, como padrão, vem seguindo os decretos feitos pelo Governo do Estado.

Ao menos 13 cidades do interior e do litoral do Estado decidiram em junho a obrigatoriedade do uso de máscaras. Araraquara, Ferraz de Vasconcelos e São José do Rio Preto são algumas das cidades que decretaram a volta da máscara obrigatória em qualquer lugar fechado ou de aglomeração. Em Campinas, a máscara retornou no dia a dia das escolas públicas e particulares.