11 de julho de 2026
EMOÇÃO

Helinho sobre a final: 'foi nos últimos três minutos que vi que a partida estava ganha'

Por N. Fradique | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Marcos Limonti/Sesi Franca Basquete
Helinho comemora: alívio de um campeão após a conquista do título inédito do NBB

Desde a conquista inédita do título do NBB 2021/22 sobre o Flamengo, na decisão histórica no Poli há pouco mais de uma semana, o técnico Helinho Garcia não parou um dia sequer.

Depois da vitória e das comemorações na praça central de Franca, com direito a carreata e desfile em caminhão aberto, a delegação cumpriu vários compromissos em São Paulo. Na capital, Helinho e jogadores participaram da reunião que selou a renovação de contratos dos principais patrocinadores da equipe (Magalu e Sesi) na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Ainda sob o efeito das comemorações pelo título e por ter sido escolhido o melhor técnico do basquetebol brasileiro, Helinho ainda encontrou tempo para dar entrevistas.

Ao GCN, Helinho disse que ficou especialmente feliz por esta conquista - ter nascido em Franca, ter jogado e comandar o mesmo time pelo qual seu pai também jogou e comandou e que ainda carrega as cores da sua terra, acabaram sendo fatores que potencializaram as emoções.

A quinta-feira decisiva começou recheada de ansiedade. “Eu acordei às 5h15 da manhã, fiz uma oração, dormi picado até as 6h45, mais ou menos. Depois, já comecei a me preparar para o jogo. Fui ver mais um pouco de um jogo do Flamengo, fui para o treino e assistimos o vídeo. Fizemos o trabalho de arremessos e voltei para casa para almoçar e dar uma descansada. Depois fui tomar um café, como sempre faço, e já fui para o jogo uma hora e meia antes da partida, como a gente sempre faz. A preleção já montada em minha cabeça dentro daquilo que a gente teria que fazer para buscar a vitória e, consequentemente, o título”. Deu certo.

Apesar de Franca ser a equipe com maior número de conquistas nacionais do país  – o time chegou ao seu 12º título - o clube vinha sofrendo pressão para conquistar a nova versão da competição nacional, o NBB, que permanecia distante do lugar de honra da sala dos troféus. Não que os últimos tempos tenham sido de jejum de títulos. Helinho lembra que, em seis anos, ganhou três vezes o Campeonato Paulista, uma Copa Super 8 e uma Liga Sul-Americana.

“Claro que tinha uma pressão por parte de alguns, até certo ponto incoerente dentro daquilo que vinha sendo feito. Mas eu vejo como um trabalho que me motivava, e eu estava muito concentrado em busca daquilo que eu tinha que buscar, que era a conquista de mais esse título, o 12º brasileiro, o primeiro do NBB”.

Aquela noite foi mesmo especial para a torcida e para o próprio Helinho. Nas arquibancadas do ginásio, estava toda a sua família, tios e ex-jogadores do clube, e entre eles, nada mais nada menos do que o seu pai, o lendário Hélio Rubens Garcia.

Pai e filho deram um emocionante e longo abraço no meio da quadra. “Quando eu abracei meu pai, meus tios, minha esposa, minha família inteira, foi um momento muito especial porque são as pessoas que estão do nosso lado no dia a dia. Aqueles que te cobram sem te desmotivar e que elogiam sem bajular. A gente tem uma formação familiar muito forte, e estar abraçando eles ali, juntamente com os torcedores, sem dúvida foi um sentimento muito especial, que eu estava esperando caso a gente conquistasse esse título”.

O agora melhor técnico do Brasil disse que não conseguiu relaxar um só momento durante a partida, mesmo com o Sesi Franca impondo uma diferença sobre o Flamengo na casa dos 20 pontos ao longo do jogo. “Foi nos últimos três minutos que vi que a partida estava ganha. O jogo já estava ali 18, 20 pontos (de vantagem para Franca). Eu percebi que a gente estava no controle e que eles não tinham mais como chegar ao placar. Mas eu não relaxei. Pelo contrário, estava muito atento pra que nada de errado pudesse acontecer”.

Sobre a notória rivalidade existente entre ele e o técnico do Flamengo, Gustavinho de Conti, Helinho disse que tudo fica "dentro" do jogo. Não daria muito certo se fosse diferente. Helinho é assistente de Gustavinho na seleção brasileira. “Durante os jogos, cada um defende seu time. A gente tem um bom relacionamento, de muito respeito. Depois do jogo, ele me parabenizou, eu também o parabenizei pelo grande trabalho, porque eles conquistaram um vice-campeonato”.

É uma atitude nobre, protagonizada por dois técnicos extremamente profissionais. Mas o sorriso estampado na cara de Helinho não deixa niguém discordar de um fato até óbvio: terminar em primeiro é muito mais doce do que "comemorar" o vice-campeonato.