Uma criança de apenas 4 anos, que estava prestes a iniciar as atividades escolares, foi matriculada na Escola Municipal de Ensino Infantil “Elenita Mazzota de Oliveira” neste ano. A mãe, Michelle Helena de Souza, de 35 anos, ansiosa pela nova etapa na vida do filho, comprou todos os materiais e organizava todos os dias a lancheira da criança, mas com apenas algumas semanas de aula, percebeu algo estranho.
Segundo Michelle, a diretoria da escola começou a ligar para que ela fosse buscar o filho mais cedo da escola, que fica em frente a sua casa. Quando perguntou o motivo, a justificativa era que ele estaria fazendo bagunça demais.
“Eu comecei a buscar ele com frequência mais cedo, por volta das 9h30. Fui chamada para uma reunião com a pedagoga responsável, ela falou que meu filho não obedecia e sugeriu que eu o levasse no neurologista e psicólogo, porque ele poderia ter algum transtorno”, falou a mãe.
A partir da observação, a mãe levou o filho ao neurologista, que afirmou que a criança não tinha nada. “Não tinha nenhum transtorno. O que ele tinha era, como ele nunca frequentou uma escolinha, ele via aquele monte de crianças e queria brincar. A escola, ao invés de mostrar para o meu filho o que realmente era uma escola, eles estavam excluindo ele, não tiveram a paciência de ensinar ele”.
Mesmo depois de passar pelo médico, a mãe continuava buscando o filho – que deveria sair às 11h40 – às 9h30 frequentemente. Até que recebeu uma ligação da pedagoga dizendo, segundo Michelle, que eles não ligariam mais para que ela buscasse e que ficaria estipulado da criança sair às 9h30.
“Na hora eu fiquei até nervosa, falei que não podia. Eu tenho que trabalhar, e meu filho tem que estudar, por que ele é diferente das outras crianças? Eu mal chegava na porta da escola e já vinham falar do meu filho, uma criança de 4 anos. Aí ela (pedagoga) alegou que é regra da Prefeitura”, disse.
A mãe procurou a Secretaria de Educação e, depois de muito questionar, os responsáveis pela pasta “propuseram” que o menino saísse no horário normal, cinco meses depois do início do ano letivo. Michelle, no entanto, preferiu mudar a criança de escola, mesmo a unidade sendo em frente à sua casa.
“Por fim eu fui até desanimando de levar ele. A gente vai, compra os materiais, fica empolgado porque é o primeiro ano de escolinha, é um ciclo novo, a gente chegava e já falavam aquele absurdo, meu filho ia sofrer ali”, ressaltou. “Agora que mudei de escola, o problema acabou. Eu vou nas reuniões e pergunto do comportamento dele e falam que é normal, que ele é uma gracinha”.
A Secretaria de Educação foi procurada, através da Comunicação da Prefeitura, para uma posição sobre o caso. Até o fechamento desta reportagem, nenhum retorno foi obtido.