A vereadora Lindsay Cardoso (Cidadania) retirou nesta segunda-feira, 13, o projeto que criaria o "Dia do Respeito à Diversidade", para comemorar o dia do LGBTQIA+ e da saúde mental no mesmo dia, 28 de junho, data que marca o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+.
Segundo a vereadora, o projeto foi retirado após entidades a procurarem para alterações. "A gente vai reunir com todos e achar o melhor caminho. Algumas entidades me procuraram para fazer sugestões no projeto, e pra ele não ficar cheio de emendas igual o anterior, a gente vai retirar para o projeto ficar mais completo", disse Lindsay Cardoso.
Segundo o projeto, o objetivo do dia do Respeito à Diversidade seria o de "estimular o respeito e tolerância por todas as pessoas com deficiência, sejam elas físicas e mentais; e a todas as orientações sexuais, sejam elas homossexuais, bissexuais, heterossexuais, intersexuais e assexuais, assim como o respeito por pessoas transexuais/transgênero/travestis".
O recuo da vereadora vem no mesmo momento que o projeto era questionado por grupos LGBTQIA+, que não gostaram da ideia da data ser comemorada no mesmo dia da saúde mental.
"Ela quer colocar o dia do LGBTQIA+ com as novas demandas, que também são importantes, como a da saúde mental. Ela, por ser a única vereadora que toca nesses assuntos, tentou fazer uma manobra para passar o dia do LGBTQIA+. Mas uma sociedade que não entende a diferença de orientação sexual com opção sexual, vai pegar um projeto desse e vai trazer a temática de que o gay tem problema mental ou da cura gay. Eu expliquei pra vereadora, ela pode até ser denunciada por isso. Não tem como você associar o gay com a pessoa com deficiência. É a mesma coisa de colocar o dia do pastor e do combate à pedofilia no mesmo dia, não tem como. São temáticas totalmente diferentes. O que tem em comum o gay com a saúde mental? Pelo contrário, são questões opostas", disse Eduardo Valentino do coletivo Arco-Íris.
Ainda de acordo com Eduardo, eles solicitaram para a vereadora que fosse retirado o tema LGBTQIA+ do dia, pois os vereadores que compõem Câmara Municipal já mostraram ser contra a comunidade LGBTQIA+, segundo ele.
Em agosto do ano passado o projeto que incluiria a Semana LGBT no calendário oficial foi reprovado pelos vereadores.
"Pedimos pra ela retirar a questão LGBTQIA+ da pauta da diversidade, e que ela siga com as outras. A gente sabe que dentro da Câmara o assunto é um tabu. Então, a gente não vai pedir para os vereadores algum tipo de posicionamento. Qual foi o posicionamento da Câmara sobre a trans que foi espancada na Expoagro? Nenhuma", continuou Eduardo.