10 de julho de 2026
EXCLUSIVO

'Quer fazer caridade com o dinheiro dos outros', diz Haddad sobre plano de Bolsonaro

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Dirceu Garcia/GCN
Fernando Haddad (PT) na rádio Difusora: 'Quem compra arma é milícia. Cidadão comum não vai comprar uma pistola automática de R$ 10 mil, a milícia vai'

O pré-candidato a governador de São Paulo Fernando Haddad (PT) esteve em Franca nesta sexta-feira, 10, onde realizou uma palestra pela manhã na Unesp para mais de 300 universitários e lideranças. Logo depois, participou de entrevista na rádio Difusora, onde detalhou algumas de suas propostas de campanha.

Haddad esteve na Casa GCN acompanhado da mulher, Ana Estela, do vereador Gilson Pelizaro (PT), do ex-prefeito Gilmar Dominici (PT) e de assessores, onde foram recebidos em almoço. O governador do Estado, Rodrigo Garcia (PSDB), também foi já entrevistado. Todos os pré-candidatos ao governo foram convidados para concederem entrevistas ao portal GCN e rádio Difusora.

Sobre o PSDB e o governo estadual
Antes de apresentar suas ideias para São Paulo, Haddad disse que em sua opinião é hora do PSDB sair do governo estadual. “Mesmo se o PSDB tivesse feito tudo certo em 28 anos, estava na hora de dar chance para uma alternância no poder. Democracia também é alternância”, falou.

Para o pré-candidato, o principal erro da gestão de Doria e Rodrigo Garcia, ambos tucanos, foi aumentar os impostos durante o período de pandemia. “Não se aumenta impostos durante uma pandemia, sobretudo de um estado que enfrenta guerra fiscal. Resultado: perderam muito apoio, principalmente em meio aos empresários”.

Uma outra questão levantada por Haddad é a industrialização de São Paulo, em especial o setor calçadista de Franca. “Não vejo muita iniciativa do Estado em reindustrializar São Paulo. A indústria calçadista aqui está tentando expandir, mas temos que industrializar usando tecnologia de ponta”.

Sobre o governo federal
Haddad não poupou críticas ao presidente Jair Bolsonaro (PL). Um recente projeto do governo pretende zerar o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre diesel e gás de cozinha; reduzir o ICMS e zerar tributos federais sobre gasolina e etanol e compensar, ao menos em parte, os estados pela perda de arrecadação.

“A proposta do Bolsonaro vai prejudicar muito a educação, principalmente. Ele quer fazer caridade com o dinheiro dos outros. Essa proposta, de novo às vésperas da eleição, só porque está ruim nas pesquisas, isso vai queimar o país. Ele teve quatro anos para cumprir o que prometeu e quer fazer de qualquer jeito agora.”

Sobre segurança pública, Haddad disse que Bolsonaro ajudou a construir o padrão imposto no Rio de Janeiro, que é segundo ele o de milícias, e que se isso seria um desastre se também for implantado em São Paulo.

“Quem tem que promover segurança para o cidadão é o Estado. Se deixar milícia entrar aqui, escritório do crime entrar aqui, isso vai passar a ideia de que vamos armar todo mundo e vamos nos proteger. Quem compra arma é milícia. Cidadão comum não vai comprar uma pistola automática de R$ 10 mil, a milícia vai, e ela começa a controlar o território”, disse. “Se você está achando caro o botijão de gás, vai pagar mais R$ 20 para a milícia, porque esse é o pedágio que ela cobra”.

O pré-candidato propõe um novo plano de metas com base na redução da criminalidade e aumento da resolutividade dos crimes e afirmou associar isso à valorização dos profissionais da segurança pública, sejam militares ou civis. “Vai ter três elementos nesse plano: carreira e salário, formação continuada – porque técnicas e crime mudam – e o terceiro, tecnologia e inteligência”.

Matéria atualizada às 21h26