"O pronto-socorro estava lotado". "Fiquei horas esperando atendimento". "O prefeito precisa fazer algo para melhorar a Saúde".
Frases como estas são cada vez mais comuns em Franca. A situação ficou ainda mais complicada com os impactos causados pela pandemia do coronavírus, que proporcionaram um aumento de pacientes na rede pública.
Segundo a secretária municipal de Saúde, Waléria Mascarenhas, 20 mil novos cadastros foram registrados na rede em um ano – entre março de 2021 e março de 2022.
“Sem contar as pessoas que tinham cadastro e não usavam, mas começaram a usar”, disse a chefe da pasta em entrevista concedida ao programa A Hora É Essa da rádio Difusora AM 1030 kHz na manhã desta quinta-feira, 2.
Além do aumento de pacientes, outro agravante para os postos de atendimento estarem lotados é a época do ano. Os problemas respiratórios estão em alta na cidade. "Pelo tempo sazonal, hoje é o respiratório. Hoje você não vê suspeita de dengue, é raro – um ou outro”.
Essa situação é vivida pelo pequeno Guilherme, de 1 ano e 9 meses, que está com suspeita de pneumonia. “Meu filho está tendo febre faz duas semanas (...) estou aguardando para fazer um Raio-X para ver se é só garganta inflamada ou se realmente é uma pneumonia”, explica a mãe, Karen Carolina da Silva, de 29 anos.
A moradora do Jardim Luíza ll, na zona Norte de Franca, elogiou o atendimento recebido. "Os médicos foram superatenciosos, os enfermeiros também. Hoje (quinta-feira, 2) está ótimo o atendimento em comparação às outras vezes".
Em situação oposta, Vera Lucia Lopes, de 59 anos, reclama da demora para atender a sua neta de 9 anos, que está com um problema de intestino. "Está um pouco demorado. Porque, no caso, é só para ver exame, poderia ser mais rápido – faz uma hora que estamos aqui e ainda não chamou ela".
Para diminuir o tempo de espera no Pronto-socorro Infantil "Dr. Magid Bachur Filho", Mascarenhas reforça a necessidade de pediatras nas demais unidades. "A pessoa que está lá no bairro, ela não precisa se deslocar para o PSI”.
A ação esbarra em um problema. “Para atender adulto, a gente não tem tanto problema em relação a médico. O nosso maior problema com médico é para atender criança”.
A secretaria vai lançar nas próximas semanas um credenciamento para trazer médicos de outros municípios na tentativa de suprir a necessidade “São cidades mais próximas e têm faculdades de medicina para tentar trazer profissionais, principalmente para o pronto-socorro infantil”.