A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) concluiu as investigações da tentativa de suicídio de Samir Moussa, 48 anos, em março deste ano. Segundo documentos obtidos com exclusividade pelo GCN, as investigações apontaram que o dentista simulou a ação na Penitenciária de Franca.
Com a conclusão da investigação, o acusado de matar o auditor fiscal federal Adriano Willian de Oliveira, 52 anos, sofreu uma falta disciplinar grave. Samir, agora, deverá cumprir pena de 30 dias na chamada "solitária", com suspensão de regalias como visitas, devendo ficar sozinho numa cela sem direito a banho de sol. Além disso, cumprirá um período de 12 meses de reabilitação disciplinar.
A ocorrência envolvendo a tentativa de suicídio de Samir aconteceu na madrugada do dia 24 de março. Um boletim de ocorrência de "suicídio tentado" foi registrado no Plantão da CPJ (Central de Polícia Judiciária).
Segundo o Boletim de Ocorrência, Samir disse aos agentes penitenciários que ingeriu cerca de 70 comprimidos de remédios de uso controlado. “O exame de lavagem gástrica realizada (...) concluiu pela inexistência de conteúdo em medicamento em seu corpo”, diz o documento.
Por volta das 3 horas da madrugada, o dentista precisou ser atendido por agentes penitenciários. Foi levado então para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Anita, e depois para o Pronto-socorro "Álvaro Azzuz", onde ficou em observação, retornando à Penitenciária.
A simulação da tentativa de suicídio foi argumento para o juiz José Rodrigues Arimatéa manter Samir Moussa na cadeia. “Tanto é assim que simulou tentativa de suicídio, mediante suposta ingestão de medicamentos, o que não ocorreu, mas provocou ação estatal para socorrê-lo, efetuar lavagem estomacal, para, ao final, concluir que tudo foi simulação”, afirmou o juiz em sua decisão.
Para Arimatéa, se solto, Samir pode simular ou modificar as provas do inquérito. “A simulação guarda semelhança com a conduta pela qual foi indiciado”.
Entenda o caso
O homicídio praticado pelo dentista ocorreu na avenida Major Nicácio, centro da cidade, entre o bar Vila Madalena, onde até pouco tempo funcionava o Bar do Careta, e a igreja Nossa Senhora das Graças.
Samir Panice Moussa matou o auditor da Receita Federal de Franca Adriano Willian de Oliveira na noite de 12 de março.
Ele foi preso horas depois do crime pela Polícia com a ajuda de imagens gravadas por câmeras de segurança de estabelecimentos comerciais próximos ao local do crime.
De posse das imagens, os policiais se dirigiram até a residência do autor dos disparos no bairro Santa Rita. Ele não estava num primeiro momento. Os policiais aguardaram um pouco, e logo Samir chegou em casa. Foi então abordado, e confessou o crime.