10 de julho de 2026
LAVOURA

Previsões apontam geada e cafeicultores temem prejuízos: 'Só nos resta pedir a Deus'

Por Higor Goulart | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Dirceu Garcia/GCN
Geada atingiu cafezais da zona rural de Franca no ano passado

A temida geada é prevista pelos institutos climáticos e a apreensão de muitas lavouras serem atingidas é um sentimento dos produtores de Franca e região. De acordo com a Defesa Civil do Estado de São Paulo, entre quarta-feira, 18, e quinta-feira, 19, os termômetros devem ficar entre 1ºC e 3ºC e tudo indica que a cidade amanheça com geada.

Caso as previsões se confirmem, a geada será precoce, já que normalmente o fenômeno acontece no inverno. O cafeicultor Paulo Henrique Faleiros diz que isso é "algo muito assustador. Só nos resta pedir a Deus para que proteja as nossas lavouras".

O temor é ainda maior por conta do curto intervalo da última geada que atingiu as lavouras. Nos meses de julho e agosto de 2021, o frio causou prejuízo aos cafeicultores. "Com a geada prevista para esta semana, o produtor fica bem apreensivo, porque essas áreas afetadas em 2021 estão em plena recuperação e voltam a produzir só em 2024. Então, isso pode trazer uma complicação muito grande, porque o cafeicultor está em uma situação econômica bem pior", afirmou o cafeicultor Marcelo Jordão.

A geada do ano passado realmente foi bem prejudicial. Paulo Henrique estima que 70% dos seus cafezais tenham sido atingidos. "Eu esperava uma colheita de mil a 1,2 mil sacas de café. A geada, juntamente com a seca e os longos períodos de friagem, entre julho e agosto, fizeram a produção deste ano despencar para 300 sacas de café", contou ele.

Segundo o engenheiro agrônomo Luiz Eduardo Mendonça, para que a geada não cause prejuízos muito grandes aos cafeicultores, existem formas de prevenção. "Para culturas perenes, como o café, manter o terreno limpo nas meias encostas ou arborização são bons métodos que podem ajudar como defesa preventiva", apontou.

Além destes métodos, Paulo Henrique diz que queimar pneus, serragens e pulverizar a lavoura também contribuem para a prevenção dos danos, mas fez ressalvas. "Os métodos não apresentam 100% de eficácia, até porque dependem da região da lavoura. Ano passado, a maioria dos produtores utilizaram esses métodos e conseguiram proteger, no máximo, 20% do que esperavam".

Preço do café
As complicações e prejuízos causados por esses fenômenos naturais devem doer também no bolso do consumidor. Com o café já em alta nas prateleiras, os cafeicultores estimam que logo um novo aumento se aproxime.

Atualmente, segundo Paulo Henrique, uma saca de café tem custado, em média, R$ 1.250, mas deve atingir preços bem maiores. "Não tenho dúvida de que o café volte a valer mais do que no início do ano, quando a saca estava custando R$ 1.500. Acredito que, desta vez, chegue próximo de R$ 2 mil", finalizou.