O município de Franca conta com 170 datas comemorativas aprovadas pela Câmara Municipal. Isso significa que dia sim, dia não, alguma atividade tem data reservada para comemorar ao longo dos 365 dias do ano. Existem segmentos que contam com uma semana inteira para comemorações e reflexões diversas.
O mês de setembro é o mês que mais reúne datas comemorativas. São 31 no total. Entre elas, estão: “Dia do Mototaxista”, “Dia Francano do Cantor Sertanejo”, “Dia do Violeiro”, “Dia do Encanador”, “Dia do Combate ao Estresse” e, como o cliente sempre tem razão, também tem o “Dia do Cliente”.
Quantas pessoas comemoram o “Dia Municipal do Trabalhador Noturno de Franca”, em 22 de janeiro? Quantas pessoas comemoram o “Dia do Jipe”, em 4 de abril? Quantos “Atletas Francanos” comemoram seu dia, em 10 de agosto? Quantos “Observadores das Aves” teriam na cidade, para se unirem e comemorarem seu dia, em 5 de outubro?
Até mesmo uma data para se comemorar o Dia do CAC’s – Colecionadores, Atiradores e Caçadores – foi aprovada no começo deste mês.
São tantas datas aprovadas pelos vereadores ao longo dos anos que eles não esqueceram nem mesmo de criar um dia para eles próprios. No dia 22 de agosto é comemorado o “Dia do Vereador”, lei criada em 2005.
LGBT
Ano passado os vereadores recusaram aprovar uma data voltada à comunidade LGBT. “Eu analiso isso como um preconceito escancarado, o fato de não ter nenhuma data que a população possa refletir, analisar e trabalhar em conjunto contra a LGBTfobia. Não tem nenhum projeto, nenhuma pauta voltada a essa comunidade. Tudo que envolve a comunidade LGBT é promovida pela população, pela organização civil que tenta combater o preconceito”, diz Eduardo Valentino, representante do movimento LGBTQIA+ de Franca.
“Não tem outra justificativa que não o preconceito. Era um projeto tão simples, mas de muita relevância para nossa comunidade”, completou Valentino.
A vereadora Lindsay Cardoso (CIDA), uma das autoras do projeto que tentou criar a Semana LGBT em Franca, disse que se há tantas datas comemorativas no calendário, porque não uma voltada a essa comunidade que sofre com a violência e o preconceito. “Eu não sou contra as armas e sim contra a hipocrisia. Se pode ter até dia do Jipe, porque não pode ter pra comunidade LGBTQIA+?”, disse ela que votou contra o ‘Dia do CAC`s’.
A vereadora lembra que grande parte da comunidade LGBT faz um trabalho social na cidade, com montagem e entrega de cestas básicas, distribuição de sopas para pessoas carentes. “O preconceito existe sim, e está no próprio calendário. O que não devemos é generalizar, porque em todos os seguimentos tem gente boa e tem gente que não presta. Existe religioso bom e religioso ruim, policial bom e policial ruim, mulher boa e mulher ruim. Então devemos saber separar as coisas. Infelizmente a hipocrisia fala mais alto. Se não pode fazer por todos, então sou a favor de não ter dia para nada mais e a gente acaba logo com isso”, sentenciou.
O vereador Gilson Pelizaro (PT), que votou contra a criação da data para o CAC`s, lamentou Franca não abrir espaço um dia de reflexão do movimento LGBT na cidade. “É lamentável que uma cidade do tamanho de Franca, e na época que estamos vivendo, ainda há esse tipo de preconceito”.