11 de julho de 2026
INVESTIGAÇÃO

Prefeitura abre sindicância, mas mantém em UBSs médico acusado de vender remédio falso

Por Kaique Castro | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Rogério Myashiro responderá pelo crime de falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais

A Prefeitura de Franca abriu sindicância para apurar possíveis atos irregulares no serviço público do médico Rogério Myashiro, que chegou a ser preso, e depois liberado, por vender anabolizantes proibidos e falsos em sua clínica no bairro São Joaquim.

O médico, que recebeu por 1.607 consultas no mês de abril, continuará atendendo nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde).

Em nota à imprensa, a Prefeitura informou que abriu a investigação e que solicitou à Polícia Civil cópia do inquérito para apurar a conduta do médico na rede básica de saúde.

Miyoshiro atende em várias UBSs de Franca, como no Jardim Aeroporto, Vila São Sebastião e Santa Clara. De acordo com o Portal da Transparência, o médico possui dois contratos com a prefeitura – um desde 2013 e outro desde 2016.

Cada contrato tem uma jornada de trabalho de 40 horas. No contrato mais antigo, no mês passado, constam 853 consultas realizadas em UBSs. Já no mais recente, são registradas 483 consultas de UBSs e 271 ambulatoriais.

Dúvidas foram levantadas sobre Rogério atuar também como psiquiatra em UBSs, mas segundo apurou a reportagem, ele apenas trocava e atualizava as receitas de pacientes já em tratamento, como é preconizado pelo SUS (Serviço Único de Saúde).

Médico respondia processo por xingar paciente
Além do processo criminal que Miyashiro responde pelos anabolizantes, em 2019 ele foi processado por danos morais por uma paciente que alega que ele a xingou. O processo não teve uma decisão porque a mulher faleceu no início deste ano.

Liberdade Provisória
Depois de ser preso nesta segunda-feira, 9, o médico passou por audiência de custódia na manhã desta terça-feira, 10, e foi solto. Ele responderá pelo crime de falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais. Se condenado, pode pegar até 15 anos de cadeia.

“Liberdade provisória sem fiança, mediante a condição de comparecer a todos os atos do processo eventualmente realizados, bem como recolhimento domiciliar no período noturno e em dias de folga”, diz a liminar de soltura do médico.

Entenda o caso
A Polícia Civil e a Anvisa chegaram até o médico após um paciente notar que os resultados físicos e laboratoriais não eram os esperados.

O paciente, então, decidiu verificar o lote do produto junto ao fabricante. Ao fazer contato com o laboratório, descobriu que um dos lotes utilizados não podia ser comercializado.

Além dos anabolizantes apreendidos, outros produtos medicamentosos foram levados pela Anvisa para perícia.