11 de julho de 2026
DIA DAS MÃES

Mães da pandemia: 'Medo? Eu fiquei apavorada, assustada, mas tudo passa'

Por Higor Goulart | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Arquivo pessoal
A francana Camila Pereira Silva, quando deu à luz o pequeno Bernardo, na Santa Casa de Franca, no dia 5 de janeiro de 2021

5 de janeiro de 2021. Nesta data, Camila Pereira da Silva viveu e assumiu um desafio. Aos 31 anos, a francana se tornou mãe do pequeno Bernardo, em um dos momentos mais difíceis de toda a humanidade. Em tempos de pandemia, hospitais lotados, gravidas e puérperas sendo consideradas do grupo de risco e um desafio ainda maior para criar uma criança em um tipo de situação nunca antes vivenciado.

A gestação foi descoberta justamente pelos impactos iniciais da covid-19 em Franca, quando em junho de 2020 a sua empresa decidiu demiti-la e ela precisou realizar o exame demissional. “Já estava com 12 semanas de gravidez, em situação de lockdown, com a empresa mandando todo mundo embora e impossibilitada de trabalhar. Foi quando descobri a gravidez”.

Tudo isso trouxe medo à Camila. “Eu fiquei apavorada, assustada, mas tudo passa”. Durante os nove meses de gestação, seus cuidados passaram a ser todos voltados à proteção do seu futuro filho. “Eu fiquei extremamente isolada e em toda gravidez estive afastada, não saindo para lugar nenhum, apenas para ir ao médico”, contou.

Sem pegar covid-19 em todo esse momento, no início de 2021, ela chegou à Santa Casa de Franca para dar à luz. Na época, a pandemia voltava a ter força, o município registrava uma explosão de casos e os leitos eram poucos para dar conta das internações. Ainda assim, ela conta que o hospital tomou todos os cuidados corretos.

“Quando eu internei, fazia um mês que a Santa Casa tinha voltado com o acompanhante, mas ainda estava bem alto o surto de casos de covid-19. Na época, a Santa Casa estava mais tranquila, porque o atendimento de covid-19 era no Hospital do Coração”, relembrou Camila.

Com Bernardo já com 1 ano e 4 meses, os cuidados de Camila seguem. E, diferente de outros tempos, a tecnologia se tornou uma aliada importante para o ainda bebê. “Eu sei que é bom ele ter contato com outras pessoas e crianças, mas a nossa realidade não permite isso hoje, e vamos levando como pode. Todo dia, as pessoas que se importam com ele ligam por vídeo. O meu irmão liga todo os dias e meu filho até já sabe que é ele”.

Gravidez na pandemia
Logo com o surto inicial de covid-19 no país, ainda em 2020, o Ministério da Saúde declarou que gravidez e puérperas (mulheres que deram à luz há 45 dias) eram consideradas grupo de risco da pandemia. Isso fez com que as gestações fossem ainda mais complicadas, com as gestantes redobrando os cuidados e tendo medo da situação vivenciada no Brasil e no mundo.

Com isso, engravidar nesse tipo de contexto proporcionou um mix de sentimentos para muitas mães. Tatiane Castelani, de 40 anos, faz parte disso. No dia 20 de outubro do ano passado, ela deu à luz ao pequeno Heitor, que hoje está com seis meses. “Eu descobri a gravidez em março de 2021. Tive muito medo, porque era algo que queria muito, mas num momento que não esperava que aconteceria, até por conta da minha idade. Só que aconteceu justo nessa época da pandemia. Então, foi bem complicado sim”.

Somado a isso, Tatiane chegou a pegar covid-19 alguns meses antes de descobrir sua gestação. Isso fez com que ela redobrasse sua atenção com os cuidados. “Tive covid-19, mas não durante a gravidez. Depois que descobri a gestação, fui transferida para home office”.

Diferente de Camila, Tatiane pôde ganhar seu filho em um momento onde a pandemia já estava mais controlada em Franca e a vacinação ganhava força em todo país. “Não era um momento de muitos casos. Como eu já tinha tido a doença e a vacinação estava avançada, eu não tive tanto medo de me internar”.

Apesar do "controle" no número de casos, a francana conta que ainda existe um grande medo em permitir que Heitor tenha contato com os outros. “Ele é uma criança muito esperta, mas é um pouco difícil sim, por ele ser bebê e a vacinação não ter chegado para ele. Tenho receio dele ter contato com os outros”.

Pouco menos de dois anos antes de Tatiane, Luciana Carneiro Pandolfi, de 39 anos, passava pela mesma situação. No dia 29 de outubro de 2020, nascia o pequeno Luís Guilherme. Diferente dos dois casos anteriores, a situação ainda era mais complicada. A vacinação estava distante, o vírus ainda era desconhecido e assustava muito mais.

Ainda assim, Luciana conta que "entregou nas mãos de Deus", quando descobriu a gravidez. “Quando descobri a gravidez, foi no comecinho da pandemia. Não sabíamos nada dessa doença e deu um medo sim”.

Por conta de a pandemia ainda estar no início, a francana conta que seu parto foi complicadíssimo. Ela não pôde contar com acompanhante, ficando sozinha por cinco dias. “Para internar foi difícil, porque o meu parto foi cesáreo. O meu marido só pôde acompanhar o parto e logo depois teve que ir embora. Isso me deixou com muito medo e eu tentei sair o mais rápido que pude de dentro do hospital”.

Apesar da covid-19, Luciana diz que não limitou o contato de Luís Guilherme com nenhuma pessoa. “Todo mundo que chegava, era só passar álcool e pegar ele. Não tive nenhum cuidado extra, preferi manter do jeito normal mesmo”, finalizou.