De fiação até portão, tudo vale dinheiro no mercado clandestino. Os moradores do bairro Santa Terezinha, na zona Norte de Franca, sofrem com essa realidade, que piora a sensação de insegurança e vulnerabilidade.
Uma mulher de 27 anos, que preferiu não se identificar com medo da ação dos criminosos, mora nas proximidades do Centro Esportivo do Santa Terezinha. Ao lado do marido, já presenciou alguns furtos no complexo.
“Entraram com um saco vazio e depois saíram com um saco cheio lá de dentro, porque eles tinham pegado fios e as coisa dali", disse a mulher.
Se engana quem acha que a ação dos criminosos termina aí. Nem os portões do centro esportivo estão a salvos. “Levou (um dos) portões embora. Aquele outro só não levaram porque não conseguiram retirar. Se eles conseguirem, vão retirar dali”.
Ao lado do complexo, o Centro de Convivência Infantil Fonte de Luz teve sua fiação furtada no último domingo, 24. "Roubaram de madrugada os fios. Na segunda-feira (25) minha filha não teve creche". As aulas retornaram normalmente na unidade na terça-feira, 26.
A atividade só existe porque tem quem compra. Comércio que, segundo ela, é impulsionado pelos ferros-velhos da região que recebem a mercadoria furtada.
"Eles estão tendo onde vender. Tem pontos que estão abertos até de madrugada (...) a pessoa compra fio, compra porta, compra tudo. Eles não estão preocupados", explica.
Por conta do trabalho, o vendedor Lucas Andrade, de 27 anos, passa pelo bairro frequentemente e já notou que os itens roubados são venidos facilmente. “É muito comum. É muito comum ter quem compra”.
“Está tendo bastante caso, a vizinhança está reclamando bastante. Está faltando muito segurança, não só nessa região, mas se ouve falar em Franca inteira", completou.
"Todos são vítimas"
Os criminosos roubam qualquer coisa - qualquer coisa mesmo. “Tenho um comércio aqui, o cara estava me roubando ovos. Tive que dar uma dura nele e o fiz devolver", disse Luiz Antônio Ferrarezi, de 60 anos.
Pita, como é popularmente chamado, tem uma mercearia no bairro e já ouviu casos, no mínimo curiosos, de seus clientes.
“Um cliente disse que um cara pediu alimento. Ele deu comida, deu laranja e tudo mais. Na hora que estava tomando banho, o chuveiro desligou e apagou a luz. Ele achou estranho e foi lá fora ver. O próprio cara que ele tinha servido alimentação estava roubando a fiação da bengala dele".
Para Pita, limitaram muito a ação policial. "Ela não tem muito o que fazer. A polícia pega, prende, leva lá e o juiz solta. Saí rindo da cara da polícia e volta a cometer crimes”.
A reportagem questionou a Prefeitura de Franca sobre o conhecimento dos furtos praticados nas áreas públicas do bairro, inclusive no centro esportivo, mas até o fechamento deste texto não obteve resposta da administração.