A política de Restinga registra mais um fato que entra para a história da cidade. A Câmara Municipal cassou os mandatos dos vereadores Julimar da Silva Rodrigues (PL) e Felipe Talvani Sontini (PSL) por improbidade administrativa e quebra de decoro parlamentar. A decisão da CP (Comissão Processante) foi lida em plenário durante sessão extraordinária nessa segunda-feira, 25.
Julimar foi cassado por 6 votos a 2, enquanto Felipe recebeu 6 votos a 3, dos 9 vereadores. Nesse caso, o vereador Rodolfo Soares (PTB), que comandava a sessão, votou a favor da cassação de Felipe.
Segundo relatório da CP, as denúncias contra Julimar são do exercício de 2021, quando ele era presidente da Câmara, sendo acusado de irregularidades na compra de botijão de gás, fechar o prédio da Câmara e contratar um funcionário (assessor da presidência) no período de pandemia, contrariando a Lei Federal.
Já o vereador Felipe Talvani Sontini acabou cassado por quebra de decoro parlamentar, por firmar contrato comercial com a Câmara através de empresa que ele seria sócio. Na ocasião, a Câmara comprou botijão de gás em seu estabelecimento, contrariando o Regimento Interno da Casa de Leis.
As representações com as denúncias foram protocoladas pelo vereador Alexandre César Ferreira de Menezes (PTB), no final do ano passado, resultando na abertura de uma Comissão Processante.
Nessa segunda-feira, o relatório final da Comissão foi lido em plenário. O documento não foi lido pelo relator da Comissão, Fábio da Silva Santana (PDT), e sim por uma funcionária da Prefeitura de Restinga, Karina Kimury. O presidente da CP, Cléber Donizete Moura (PSL), pouco falou durante a sessão.
Após a votação que resultou em sua cassação, Julimar afirmou que a decisão dos vereadores é uma perseguição política. “Foi o resultado de uma perseguição política, pois a partir do momento que fui fiscalizar o Executivo, sofri todas as retaliações”.
Julimar disse ainda que acredita na Justiça e vai recorrer. “Vou recorrer. A minha consciência está tranquila e existe até parecer do Ministério Público dizendo que as denúncias são ineptas, mesmo assim, o grupo de vereadores não respeita, passa por cima de todos”.
Início
Ano passado, todos os membros da Mesa Diretora da Câmara de Restinga renunciaram ao cargo. Com isso, um grupo de oposição à administração do Legislativo, composto por seis vereadores, realizou nova eleição, alegando renúncia coletiva, e retirou Julimar da presidência da Câmara.
No entanto, afirmando que não entregou o cargo, Julimar moveu ação na Justiça para se manter na presidência. Desde outubro do ano passado, ele luta para voltar à presidência. Nesse período, a Justiça determinou a recondução do vereador ao cargo três vezes, mas em todas, foi impedido de permanecer no cargo pelo grupo opositor.
Paralelo a esse processo, Julimar - autor de um projeto de lei contra o nepotismo no município - passou a enfrentar acusações de irregularidades em sua administração. Nesta segunda-feira, a Comissão Processante leu o relatório final com as acusações que recaíam sobre Julimar, decidindo pela cassação dele e também do colega Felipe Talvani Sontini.
Os suplentes dos parlamentares envolvidos no processo foram convocados para votar e já foram empossados na mesma sessão, que começou às 9h dessa segunda-feira, indo até as 00h40 desta terça-feira. A sessão teve duração de mais de 15 horas.