Ao longo dos últimos 12 meses, o pacote de café torrado e moído ficou cerca de 52% mais caro nas prateleiras dos mercados. O “cafezinho” vem em uma sequência gradual de aumentos que chega a assustar o consumidor, mas a pergunta é: a bebida mais tradicional do Brasil pode ficar ainda mais cara?
Com uma expectativa não tão boa para a atual safra, existe um temor maior quanto aos valores. No entanto, Adilson Machado, coordenador de Operações de Café da Cocapec (Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas), explicou que o principal reajuste no preço começou desde o ano passado porque já era esperado que a safra de 2022 não fosse o bastante.
“No início do segundo semestre fomos atingidos por uma geada muito forte, que há quase 30 anos não se via, e isso prejudicou muito a safra deste ano. Todo fenômeno climático prejudica a safra futura, portanto, o mercado precisa garantir o café disponível já hoje, porque sabe que não vai conseguir na próxima safra o volume suficiente”, disse.
Essa é uma forma que o mercado encontra de se antecipar e não esgotar todo o estoque de café disponível, bastante conhecido como “efeito manada”, e que acaba gerando um aumento de preço exacerbado. Por isso, Adilson ressaltou que não deve mais haver aumentos de preços tão bruscos, independentemente da safra, pois isso já foi feito ao longo dos últimos meses.
Se por um lado isso representa um alívio, por outro, não significa que o cenário é positivo. A colheita deste ano deve ser cerca de 40% ou 50% menor do que foi estimado pelos cafeicultores no primeiro semestre de 2021, principalmente pelas mudanças climáticas.
“Já sabíamos que não ia repetir o que foi a safra de 2020, que foi a recorde da região. Em 2022, tínhamos uma boa expectativa, mas sabíamos que o potencial dela não era o suficiente para superar 2020. Considerávamos um volume próximo de uns 5% inferior à safra daquele ano, o que ainda era muito bom, mas na verdade deve ser de 45% a 55% o que foi em 2020.”
A colheita começa na segunda quinzena de maio e segue até setembro. Para 2023, Adilson prevê uma safra melhor, cerca de 10% a 20% maior do que a deste ano.
“Por isso o mercado começa a acomodar e ficar um pouco mais tranquilo, porque sabe que no futuro vai surgir um certo volume de café. Claro que tem muita coisa a acontecer, temos um inverno e as chuvas da primavera pela frente, mas o mercado hoje já está mais calmo em relação há uns 10 meses”, disse.