Hoje eu só quero uma casa no campo,
longe do asfalto por onde se chega devagar,
e vai parando para ver a serra sem cafezal,
sem canavial, sem televisão.
Ser recebido com as sobras do almoço
que ainda estão nas panelas de ferro
sobre o fogão.
A noite luz da lua no terreiro,
as lamparinas acessas dentro,
e dentro de mim o silêncio cresceria
sem a pressa das vozes das pessoas sem direção.
Eu queria muito ouvir o rio escorrendo para longe,
me levando de cachoeira em cachoeira
até o sono,
até poder evaporar gostoso me diluindo
no Poder Maior inimaginável
que reveste cada coisa viva
ou morta, ou inventada.
Grato imaginando sinto,
e não temo reagir ao que imagino sentir.
Com menos pressa e alguma desenvoltura
caminho nesse rumo,
e talvez com a elegância de quem sente dor
sabendo que doer não é privilégio
de apenas um de nós.