Ao menos 13 pessoas ficaram feridas em um ataque a tiros em uma estação de metrô no bairro do Brooklyn, em Nova York, nos Estados Unidos, segundo autoridades.
A Polícia de Nova York foi acionada para o caso por volta das 9h30 desta terça-feira (horário de Brasília), de acordo com o próprio órgão, que afirma ter sido comunicado primeiramente sobre haver uma pessoa baleada em uma estação no Brooklyn.
A rede de televisão americana ABC News, citando fontes policiais, diz que ao menos cinco pessoas foram baleadas em meio ao ataque a tiros na estação.
No momento, com base em informações preliminares, autoridades estão buscando por um suspeito: um homem que utilizava uma máscara de gás - uma nuvem de fumaça tomou conta do local em meio ao ataque - e vestia um colete laranja no interior do metrô.
De acordo com a emissora americana NBC, o suspeito de ter sido o atirador foi descrito como um homem de 1,65 m de altura e pouco mais de 85 kg. A Polícia de Nova York trabalha com a hipótese de que ele agiu sozinho, mas ainda não se imagina por qual motivação.
Informações preliminares também apontam que o homem pode ter fugido do local do ataque adentrando os túneis do metrô. Por causa da ocorrência, o serviço de transporte sob trilhos está operando com lentidão e paralisações no Brooklyn e em Manhattan.
De acordo com a Polícia de Nova York, artefatos explosivos encontrados no interior da estação não estão ativos. Ainda assim, as autoridades estão orientando que as pessoas "fiquem longe" do local não só por segurança, mas para facilitar o trabalho dos socorristas.
Escolas públicas na região do Brooklyn também estão operando em esquema especial, segundo a CNN: ninguém pode sair das unidades, e apenas estudantes podem entrar nelas.
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, já está ciente sobre o ataque, segundo Jen Psaki, porta-voz do governo. De acordo com ela, a Casa Branca está em contato com autoridades locais "para oferecer qualquer assistência".
Nova York tem registrado aumento nos tiroteios. No primeiro quarto de 2022, foram 296 incidentes, contra 260 no mesmo período em 2021, de acordo com números divulgados pela polícia local e reportados pelo jornal The New York Times. Por outro lado, os casos de homicídio caíram.
Aumento da violência
O tiroteio em uma estação de metrô de Nova York, nos Estados Unidos, nesta terça-feira (12), que deixou ao menos 13 pessoas feridas, acontece em meio a um cenário de crescente violência no sistema metroviário da cidade americana, o que já pressionava as autoridades locais por medidas que promovam a segurança pública.
Relatório divulgado pela Autoridade Metropolitana de Transportes (MTA, na sigla em inglês) em janeiro mostra que os assassinatos nesse ambiente cresceram 33% em 2021 em comparação com o ano anterior.
Oito pessoas foram mortas no metrô de Nova York no último ano, duas a mais que em 2020. A cifra é a maior desde 2005, quando cinco foram assassinadas. Número ainda mais expressivo é o de agressões: 461 foram relatadas em 2021, 30 das quais de vítimas empurradas nos trilhos. O dado exibe aumento de 30% em relação ao ano anterior e é o maior desde 1998, quando 418 agressões foram contabilizadas.
Por dia, 4,8 episódios de violência ocorreram em estações da cidade mais populosa dos EUA. A conta inclui assassinatos e agressões, bem como casos de roubo e estupro. Pelo menos oito pessoas foram abusadas sexualmente no sistema de metrô, e 529, roubadas.
Outro cálculo produzido pela MTA e publicado pelo jornal americano The New York Times ilustra que, somente nos três primeiros meses de 2021, ocorreu 1,63 crime violento no metrô para cada milhão de passageiros. O número é superior ao índice de 1,48 crime por milhão de passageiros no mesmo período de 2020 e ainda maior que a média de 1 crime por milhão no primeiro trimestre de 2019.
Especialistas, no entanto, sinalizam que o aumento do número de passageiros no último ano, quando as restrições sanitárias para conter a pandemia foram afrouxadas, deve ser levado em conta para analisar o crescimento da violência no transporte público.
Ao site noticioso Business Insider John DeCarlo, criminologista da Universidade de New Haven, de Connecticut, lembrou que o aumento das taxas de vacinação e o retorno ao trabalho presencial devem ser colocados na balança. "O número de passageiros é maior, e, em criminologia, um dos fatores mais importantes é a densidade populacional. Se há mais pessoas, haverá mais crimes."
Cerca de 78% dos residentes de Nova York já completaram o primeiro esquema vacinal, de acordo com dados oficiais atualizados. Entre os adultos, a parcela de pessoas com dose única ou duas doses chega a 87,5 %. Já entre as crianças, fica em 58%. Cerca de 37% da população local também já recebeu a dose de reforço do imunizante.
A violência no transporte público se desdobrou em mais um problema com o qual o prefeito da cidade, o democrata Eric Adams, tem de lidar nos meses iniciais de sua gestão. Segundo prefeito negro a comandar a cidade, ele prometeu promoverá parcerias entre policiais e profissionais de saúde mental para mitigar o que chamou de distúrbio no sistema de metrô.
O democrata, um ex-capitão da polícia nova-iorquina, também anunciou em janeiro um pacote maior descrito como um plano para acabar com a violência armada em Nova York. A medida envolve o envio de equipes adicionais de agentes públicos a 30 das 77 delegacias da cidade.
Nova York registrou 488 assassinatos no último ano, um aumento de 5,6% em relação a 2020. Os tiroteios, que somaram 1.532 em 2020 -o dobro que no ano anterior-, aumentaram 2% em 2021, de acordo com estatísticas mais recentes da cidade.