19 de março de 2026
CRÔNICA

Amor, Culpa e Castigo

Por Baltazar Gonçalves | especial para o GCN
| Tempo de leitura: 2 min

Quem nunca gastou seu tempo investigando as paixões humanas não pode perceber o motor que nos impulsiona. Minha religião não permite sentir culpa, os vereditos morais já não vergam meu espírito sob o peso da maledicência alheia. É impressionante quanta maldade pode caber no coração de uma só pessoa que se mostra “de bem”, com boas intenções.

Quem já viveu esse momento, e virou a chave na fechadura, passou da subserviência e autopiedade para a comunhão e conectividade. Viver para si mesmo é limitador da experiência; estar no rumo de servir ao outro na jornada que ele escolhe, sem criar expectativas ou fazer julgamentos, abre os parâmetros da moralidade infértil carregada de pré-conceitos.

Servir de apoio na caminhada de alguém é nobre, se for de graça; ajuda profissional é outro negócio. Aprende-se que dar de graça o que se recebe de graça resulta. Felicidade vem de saímos do egocentrismo em que vivemos com o mundo girando em torno dos meus desejos, minhas paixões, meus projetos, meus filhos, minha classe social, meus pares (como se não fosse uma alegria ser ímpar!). Estar presente para auxiliar cria escape para a solidão onde eu/ego afunda preso em culpa e castigo.

Quem ama, orienta mas não castiga. Culpabilidade é um troço do âmbito da jurisprudência, quem comete crime tem que pagar. Muitos passam a vida pagando por escolhas criminalizadas por quem quer poder controlar corpos e mentes. Escapar dos que manipulam o sentimento de culpa é libertador. A sabedoria popular confirma: quanto mais liberdade se tem mais responsabilidade abraça.

O amor é maior que a lei, não tenho outra religião. Sou poeta e meu deus é o sol. O astro mineral atômico, fonte de toda vida, parado no mais distante, chega a toda parte. O amor é um sol, sua luz também cria sombras que são parte dele. Outros deuses fazem muito barulho, usam palavras e falam como pessoas fariam.