11 de julho de 2026
ELEIÇÕES

'Nem fui, nem voltei', diz Doria sobre 'especulação' de que ficará no governo de SP

Por Mônica Bergamo | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
João Doria: 'Estou correndo muito aqui. Mas nem fui, nem voltei. Só para você saber. Só especulação'

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), deixou claro à reportagem que a decisão de permanecer no cargo e desistir da candidatura à Presidência da República não está sacramentada -e possivelmente sequer será concretizada.

Doria comunicou na quarta (30) ao vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, que tinha desistido da campanha nacional e que permaneceria no cargo de governador.

Com isso, ele rompia um acordo que os dois firmaram há três anos, e que garantia que Garcia assumiria neste ano o comando do governo e seria o candidato à sucessão estadual pelo PSDB.

A informação do diálogo dos dois explodiu como uma bomba nos meios políticos.

Na manhã desta quinta (31), no entanto, Doria teria voltado atrás. Diante das resistências para a sua permanência no governo de SP, ele sairia, sim, do cargo. E deixaria o caminho livre para Rodrigo Garcia assumir o governo e sair em campanha pelo estado.

Ainda não está claro, porém, que ele segue candidato a presidente da República. Entre as várias informações que circulam sobre a sua decisão final, está a cogitação de que ele poderia até mesmo se retirar da vida pública para cuidar da família.

Questionado pela reportagem, Doria enviou um áudio afirmando: "Estou correndo muito aqui. Mas nem fui, nem voltei. Só para você saber. Só especulação".

Prefeitos do interior ligados a Garcia dizem que receberam dele a informação de que Doria recuou e não vai ficar no cargo.

Doria avisou Rodrigo Garcia que pretende ficar no cargo que deixaria nesta quinta (31) para disputar a Presidência, em reunião que ocorreu por volta das 17h de quarta (30) no Palácio dos Bandeirantes. A partir daí, uma romaria de aliados de Doria se formou à sede do governo paulista para tentar entender o movimento.

Doria cancelou dois eventos que teria nesta manhã. Ele avisou a seus aliados que irá anunciar a desfiliação do PSDB e acusar caciques do partido, Aécio Neves (MG) à frente, de o terem traído e forçado sua decisão. União Brasil e MDB podem ser os partidos de destino de Doria.

Pessoas próximas a Rodrigo, que deixou o DEM no começo do ano passado após o partido rachar na disputa para a presidência da Câmara, chamaram Doria de traidor e coisa pior. Em resposta, ouviram que ele manteria a promessa de não disputar a eleição e apoiaria o vice para a disputa do governo estadual, conforme combinado desde 2018.

Ocorre que, nos planos do vice, tal disputa se daria com ele na cadeira de governador. Ele disse a amigos que não aceita concorrer com Doria no cargo.

Lideranças de oposição a Doria, de seu partido e de outras legendas já consideram que o tucano será candidato ao governo de São Paulo caso permaneça no cargo, como ameaça fazer.

Integrantes da equipe do próprio tucano, perplexos com a atitude que ele ameaça tomar, têm a mais absoluta certeza de que o governador passará os próximos três meses negando a candidatura, para na reta final se lançar na disputa. As legendas têm até 5 de agosto para escolher seus candidatos em convenções partidárias.

Segundo eles, Doria usará o argumento de que tem melhor pontuação que Rodrigo Garcia nas pesquisas eleitorais. E usará o pretexto de que a militância prefere que ele seja o candidato.