O filósofo Sócrates ficaria horrorizado com a quantidade de sofistas distorcendo a lógica com falácias. A argumentação falaciosa mais usada é a desqualificação da pessoa (ad hominem), como se desqualificar Newton fosse suficiente para revogar a Lei da Gravidade. Outra falácia grave é utilizar-se de Deus (esquecem o mandamento: Não tomar seu Nome em vão!) para desqualificar alguém. Chega a ser ridículo ver alguns que falam em família e Deus.
Sempre me incomodou muito pessoas que a toda hora se dizem honestas, caridosas, que ficam apontando corrupção em outras pessoas, em todos os políticos (menos o dele). Geralmente, quando um ladrão da Pátria é flagrado no crime, vem-me à memória seus discursos de amor ao Brasil, ao Estado, ao município, ao bairro, ao sindicato, à associação.
Eu fico boquiaberto quando vejo alguém defender um político com quem não convive, até agredindo os próprios familiares e amigos com quem convive nos bons e maus momentos. E por que fazem isso? Porque não pensam, pois pensar é muito difícil, exige controle emocional sobre a paixão, e só poucos conseguem!
Assim prevalece a visão dos especuladores sobre a Petrobras. Oras, quem comprou ação, o investidor de verdade, está interessado no dividendo, não necessariamente nas flutuações da Bolsa que mais interessam ao especulador e ao corretor que ganha comissão na venda. É só a Petrobras reservar um bom dividendo para os sócios e usar o resto do lucro para fazer um valor justo da gasolina, diesel e outros derivados. Afinal, diziam que o custo do petróleo brasileiro era de US$ 30, por que o povo, os verdadeiros donos, tem que pagar cem dólares?
Mesma falácia sobre o direito de o Brasil desmatar a Floresta Amazônica. Dizem que é questão de soberania nacional, será? Claro que não, é questão de economia. Mas cortar as árvores gigantes está matando o rio aéreo que sai da floresta para o sul do Brasil, tornando o país mais seco e, consequentemente, mais pobre! Sem falar da fauna e flora riquíssimas dos biomas brasileiros, incluindo ainda a microscópica.
Não custa lembrar que o potencial econômico do açaí foi descoberto no Vale do Silício, lá nos cafundós da Califórnia. Aqui, os "gênios" queriam transformar o açaizeiro em palmito e lenha.
Enquanto o presidente fala (sem saber) de nióbio e grafeno, manda fechar uma fábrica de semicondutores (sobre os quais deveria entender), o Ceitec (Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Uma empresa que projeta, fabrica e comercializa circuitos integrados (chips) para diferentes aplicações, sob encomenda federal e de empresas privadas, como as tag de pedágios. Uma empresa de alta tecnologia que enriquece a região de Porto Alegre (RS) e desempenha um papel estratégico no desenvolvimento da indústria de microeletrônica do Brasil.
Cadê os deputados e senadores ditos patriotas? Como é possível aceitarem a liquidação dessa empresa vendo as dificuldades das automobilísticas diante da falta de semicondutores? E enquanto veem a empresa do trem-bala ou a TV Lula consumirem o Erário sem serem incomodadas?