10 de julho de 2026
NO CÂMPUS

Alunos paralisam aulas na Unesp em protesto a moradia e transporte da universidade

Por Vinícius Nunes | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Vinícius Nunes/GCN
Estudantes da Unesp reunidos no câmpus da universidade nesta quarta-feira, 23

Estudantes da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Franca decidiram paralisar coletivamente as aulas de graduação na universidade após enfrentarem, segundo eles, problemas com moradia e transporte oferecidos pela faculdade. A decisão da paralisação foi tomada na noite desta terça-feira, 22, após se reunirem em assembleia.

Na manhã desta quarta-feira, 23, os estudantes se reuniram no câmpus da universidade, onde criaram cartazes que foram fixados nas paredes do local, com frases como: “Permanência estudantil não é favor, é direito!”, “Se não é pra todos, não é para ninguém” e “Pelo direito de estudar dignamente”. Além dos cartazes, os estudantes realizaram reuniões no ambiente universitário e moveram as cadeiras das salas de aula para fora das classes.

De acordo com os estudantes, a paralisação teve início por conta de um atraso para a conclusão de uma reforma que está sendo feita na moradia da Unesp desde meados de dezembro de 2021. Com a obra em andamento, moradores do local têm dormido em meio a poeira da obra, colchões mofados, sofás, quartos lotados, dentre outros problemas. Além disso, os novos estudantes, que não moram em Franca e contavam com a estrutura do local para o início de seus estudos, com a falta de vagas não têm tido acesso à moradia ou habitam o local em situações precárias.

O estudante Davi Wesley Pereira, do 5º ano do curso de Serviço Social da Unesp, ocupa a moradia desde o início de seus estudos e conta como está a situação. “Vim de Campinas esperando que tivesse vaga, mas encontrei uma Unesp totalmente desmobilizada. Sei que a reforma é algo positivo, ela é muito importante, mas estou dormindo debaixo de uma bancada e esperando que não cheguem mais pessoas porque não tem mais onde colocar. É uma situação bem chata, você recebe as pessoas, mas não ter onde guardar alimento ou lavarmos nossas roupas”, disse Davi.

O estudante Matheus Mataruco também está na moradia oferecida pela universidade e explica sobre a ocupação dos quartos do local. “Meu quarto é pequeno, feito para duas pessoas, mas para dar espaço para todos, estavam dormindo três pessoas lá, com uma dormindo embaixo de uma bancada. Na mesma situação, alguns dormem em sofás na área de convivência. Está tendo uma superlotação dos blocos da moradia. Além disso, há cerca de 15 pessoas na fila de espera para morarem lá”, explica o estudante.

Os universitários explicam que a reforma na moradia estava prevista para antes do início das aulas, mas que esse prazo tem sido estendido cada vez mais. “No começo ficaria pronta em fevereiro, depois na primeira semana de março, que seria quando começariam as aulas presenciais, mas estenderam para quinta-feira passada, e a última foi para esta terça-feira”, conta Matheus.

Outro motivo que causou a paralisação foram situações que vem impossibilitando os estudantes de chegarem ao câmpus, relacionado ao transporte público. “Algumas pessoas que estão na moradia precisam de um lugar para ficar, mas não têm condição de chegar na faculdade por conta de ônibus e pelo próprio passe que a Unesp não efetuou a recarga ou que não podem fazer o passe ainda por outros motivos. Alguns têm que pagar 5 reais para a ida e vinda, com ônibus que passam em horários inviáveis para assistirem às aulas”, explica Mataruco.

“Muitas pessoas da moradia estudantil não estão tendo acesso ao câmpus por conta do transporte público. A São José não está disponibilizando horários suficientes”, conta Edson Nobre, 32, estudante do curso de Direito da Unesp. “Convidamos os estudantes para que todos os que puderem ajudar nesse movimento importante, que esses alunos possam permanecer nesse espaço universitário”, convida Edson.

Palavra do reitor
De acordo com Murilo Gaspardo, reitor da Unesp de Franca, anteriormente a moradia passava por situação precária, além de um momento de crise financeira da universidade. “Diante dessa situação, nós buscamos recursos via emendas parlamentares no orçamento do Estado de São Paulo. Iniciamos essa busca ainda em 2018. Infelizmente apenas em dezembro de 2021 foi possível dar início a duas obras, uma na parte elétrica, além de levar internet, gás canalizado, todo o sistema de prevenção e combate a incêndios e uma outra obra para melhorar as condições dos quartos dos estudantes”, explica o reitor.

Murilo também explicou a razão da demora da conclusão das obras: “O contrato previa que as duas obras deveriam ser entregues na semana anterior ao Carnaval, então tínhamos aí alguma margem de ampliação de prazo, porque as obras sempre enfrentam problemas. Infelizmente as dificuldades foram muito grandes. Por exemplo, a empresa passou uma fiação para os chuveiros dos banheiros com calibre inferior ao previsto no edital, que não atendia à exigência dos chuveiros mais modernos que seriam instalados, então esses fios tiveram que ser substituídos. As portas corta fogo instaladas também tinham a dimensão errada e tiveram que ser substituídas. Enfim, uma série de condições”.

O reitor também se manifestou a respeito da questão do transporte dos alunos até a universidade. “Não se trata de nenhuma falha da universidade, o que ocorreu é que a universidade custeia o transporte de todos os estudantes que moram na moradia estudantil até o câmpus. São 63 mil reais estimados para o ano de 2022. Alguns alunos ainda não haviam providenciado seus cartões de transporte junto à empresa São José, e não tendo providenciado não seria possível que a universidade fizesse o crédito. Isso está sendo resolvido porque depende de uma iniciativa dos estudantes, eles foram devidamente orientados. Além disso, a Unesp disponibilizou seu próprio ônibus para trazer os estudantes da moradia para a universidade e para levá-los de volta para a moradia após o período de aulas”, explica Gaspardo.

Murilo ressalta que há também um programa de auxílio aluguel para aqueles que não consigam a vaga na moradia estudantil ou por qualquer razão que não consigam ficar no local.