Franca vive um período crítico em relação aos casos de dengue. Nesta segunda-feira, 21, uma francana, designer gráfica de 37 anos, morreu por conta do vírus. Várias regiões da cidade registram surtos de infecção da doença. Em entrevista à rádio Difusora na manhã desta terça-feira, 22, o médico infectologista Rubens Pereira alertou para os perigos do vírus, principalmente quando contraído pela segunda vez.
A dengue clássica e a dengue hemorrágica se diferenciam justamente pela gravidade. A hemorrágica, geralmente ocorrida em pacientes que já contraíram a dengue em até cinco anos, pode desencadear sangramentos de vasos na pele e em órgãos internos por volta do terceiro ou quarto dia.
“O paciente pode deixar de ter os sintomas da dengue clássica, que são febre, dor no corpo, e começar a apresentar concentração de sangue”, disse Rubens. “Temos que ficar muito atentos, porque geralmente é na transição de quando a febre acaba, por volta do quarto dia, que o risco é maior, podendo ter desidratação, vômito, dor abdominal, queda de pressão e eventualmente até com tratamento em enfermaria ou terapia intensiva”.
O infectologista alerta que a dengue hemorrágica não necessariamente é desenvolvida somente na reinfecção e que não há um tratamento literal contra a doença. “Não há um antiviral. A dengue clássica, a pessoa trata em casa, e a hemorrágica, quando o quadro é muito delicado, o paciente é internado para monitoração”.
Surto em Franca
No início deste mês, a Vigilância Sanitária divulgou que houve um aumento de 452% nos casos notificados de dengue em relação ao ano anterior, com 38 casos confirmados entre janeiro e fevereiro. Considerando os casos não notificados oficialmente em Franca, esse número pode ser ainda maior.
Josina Augusta relatou que sua irmã, que tem 70 anos, contraiu a doença. Desde o último sábado, 19, a idosa está com febre, dores no corpo e fraqueza. A situação é a mesma em toda vizinhança, onde outras seis pessoas estão com dengue.
“Minha irmã mora na Rua dos Caiapós, no Jardim Martins. Na mesma calçada que ela mora, outras seis pessoas deram dengue. Embaixo de onde eles moram tem muito entulho, sofá jogado, lixo, mata... Muitos vizinhos pegaram, é muito perigoso”, disse Josina.
Além do trabalho de rua da Vigilância Sanitária, o órgão convocou mais de 300 proprietários de terrenos para que efetuem a limpeza dos lotes com o prazo de 15 dias, sob pena de multa. A sujeira em terrenos e quintais estão entre os principais focos para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue.