O governo do Estado anunciou na tarde da última quinta-feira, 17, o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras de proteção em ambientes fechados. Uma semana antes, o governador João Doria (PSDB) já havia desobrigado o uso em áreas abertas. Tanto num caso como no outro, o prefeito de Franca, Alexandre Ferreira (MDB), aderiu imediatamente às novas regras estaduais. Apesar da 'liberdade' oficializada, a população se divide. Parte deixou de usar as máscaras, mas uma parcela significativa mantém o hábito, especialmente em lugares fechados ou com grande concentração de pessoas.
Na tarde deste sábado, 19, na região central de Franca, praticamente metade das pessoas utilizavam as máscaras. “Eu já me acostumei, a gente já é de idade e quando damos uma tossida o pessoal fica preocupado. Acho cedo para não ser mais obrigatório. Vou continuar usando por uma questão de saúde também”, conta Elirce Madalena Campos, 60, dona de casa, que andava pelo Centro da cidade utilizando a máscara.
“Vou continuar usando máscara na rua mesmo não sendo obrigatória. Dentro de casa é claro que não utilizo, por estar isolado, de certa forma. Estão tendo muitos casos novos em outros países. Ainda não vencemos a pandemia mundial, ainda existem pessoas que não tomaram as vacinas e outras que se recusam a tomar”, explica o auxiliar administrativo Gabriel Melo, de 42 anos, que acredita que a liberação foi prematura e acompanha com preocupação os novos surtos de covid que surgem na Ásia e Europa.
No comércio, quem atende os clientes diretamente explica que a maioria entra nos estabelecimentos com a máscara. “Continuo usando porque me sinto mais segura com ela, é uma proteção a mais. A pandemia ainda está ai, o vírus ainda está ai. Aqui na loja, cerca de 80% da clientela está entrando com máscara. Alguns que entram sem, logo colocam. Acredito que nem todos estão sabendo que não é mais obrigatório”, explica Vanessa Ferreira, atendente de 21 anos.
No Franca Shopping, o cenário é semelhante ao do Centro - cerca de metade das pessoas utiliza o equipamento de proteção, mesmo sem ser obrigatório. A máscara no local é opcional, exigida apenas para funcionários do Franca Shopping, como seguranças e equipe de limpeza.
“As máscaras protegem muito, e acho que todos devem continuar usando. É cedo demais para retirar a obrigatoriedade. Acredito que se as pessoas usarem por mais alguns meses vai ser melhor até acabar de vez esse vírus. Peguei covid o ano retrasado, é horrível, recomendo que todos se protejam”, conta Lúcia Barbosa, 55, chanfradeira, que continua usando a proteção em todos os lugares quando sai de sua casa.
Eduardo Mércuri, 20, atendente, discorda e comemora a possibiliade de circular sem máscara. “Acho natural às máscaras deixarem de ser obrigatórias. Tudo já está voltando ao normal. Vou usar em algumas situações, no caso, em lugares muito fechados, mas na maioria do tempo vou ficar sem mesmo”, argumenta.
Nos supermercados de Franca, a grande parte dos clientes utiliza o equipamento de proteção. Segundo funcionários dos estabelecimentos visitados pela reportagem, os proprietários dos locais exigem que os trabalhadores mantenham o uso da máscara, apesar de permitirem que os clientes frequentem os espaços sem.
A preocupação com familiares, especialmente os mais velhos, é fator que pesa na decisão de algumas pessoas. “Usarei como em toda a pandemia. Moro com meus avós. É uma forma de prevenir que eles sejam infectados", disse Pedro Acácio, 19, que trabalha na área de SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor). Apesar da cautela, Pedro defende o fim da obrigatoriedade. "Os casos estão baixando. Acho que é uma boa hora”, diz.