11 de julho de 2026
COVID-19

Pandemia completa dois anos: 'projetos de longo prazo foram adiados', diz médico

Por N. Fradique | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Dirceu Garcia/GCN
Pandemia lotou unidades de saúde, mas apresenta queda nos casos ao completar dois anos da doença

Há exatamente dois anos, o mundo iniciava uma guerra contra uma doença desconhecida. Março de 2020 marcou definitivamente a qualificação do vírus da Covid como pandemia pela ONU (Organização das Nações Unidas). Em 19 de março daquele ano, Franca se submetia ao primeiro decreto de calamidade pública. Foram adotadas inúmeras medidas para conter o coronavírus, que impactaram o dia a dia das pessoas até hoje.

Autoridades e a ciência buscavam uma resposta para o que estava acontecendo, sem saber quanto tempo iria durar o problema. “Havia uma grande incerteza em relação ao que aconteceria diante da Covid-19, mas diante do histórico de outras epidemias de gripes, acreditávamos que, no pior cenário, teríamos o término até o final de agosto de 2020. Diante desse cenário inédito, nós fomos nos adaptando para enfrentar as diferentes ondas com foco no curto e médio prazo. A pandemia fez com que os projetos de longo prazo fossem adiados”, disse o médico e presidente da Unimed Franca, Daniel Martiniano Haber, em entrevista na sexta-feira, 11.

Na época, Haber afirma que as medidas restritivas para conter o avanço do vírus foram importantes para evitar um grande número de mortes. Em uma simulação feita por ele sobre o que poderia acontecer, o resultado causou muita preocupação. Na oportunidade, o médico disse que a região como todo, incluindo Franca, poderia contabilizar 900 mortes pela Covid. Hoje vemos que ele foi até otimista, já que o número chega a 2.197 óbitos, sendo 1.169 apenas em Franca, segundo dados da Vigilância Epidemiológica da última sexta-feira, 11.

“Eu acredito que nossa cidade é privilegiada em relação à assistência a saúde. Temos excelentes profissionais de saúde tanto no setor público quanto privado. Respeitando as diferenças de cada setor, público e privado, nosso desempenho foi muito bom em relação ao tratamento dos pacientes. As ações foram bem alinhadas, e mesmo com tantos desafios, tivemos um bom desempenho assistencial”, completou.

Igualmente, o médico e infectologista Homero Rosa Júnior, que liderava o Comitê de Enfrentamento à Covid formado pela Prefeitura no começo de 2020, disse, nesta sexta-feira, que a projeção era de uma pandemia mais curta, mas a doença apresentou uma transmissão avassaladora. “A doença pegou o mundo inteiro de surpresa e todos também sem anticorpos, sem defesa, suscetíveis. O que diferenciava era que umas pessoas apresentavam maior risco do que as outras. Mas toda humanidade estava sob o risco de contágio”.

Nesta semana, o Estado desobrigou a população de usar um dos itens de proteção contra o vírus, a máscara, em lugares abertos. A decisão aponta para um controle sólido da doença, mas Homero Rosa destaca a importância da vacina, mesmo com a diminuição dos casos graves. “Essas flexibilizações acontecem justamente pela inversão da gravidade que faz com que a gente possa liberar atividades em alguns locais pela segurança obtida pela vacina. Mas nós precisamos entender que precisamos avançar na vacinação para poder abandonar por completo o uso de máscara”.

Homero Rosa reafirmou que a arma para controlar o vírus é a vacina e lamenta a propagação de informações falsas espalhadas por pessoas desinformadas. “Além da dificuldade de combater e controlar o vírus, temos que incentivar as pessoas que não se vacinaram ainda, a se vacinarem o quanto antes para a gente poder ter uma condição anterior a 2020”.

O médico lamenta a disseminação de notícias falsas sobre os imunizantes. “Infelizmente muitos desentendimentos, muita desinformação, e às vezes até pessoas que têm uma carreira científica, atrapalharam demais para que a comunidade entendesse que a vacina é segura, eficaz, necessária. Temos a necessidade imperiosa de convencer essa grande parcela da população que ainda não tem o esquema vacinal completo, ou que não tomou ainda nenhuma dose da vacina contra a Covid”.

Segundo dados da Secretaria da Saúde de Franca, Franca já aplicou 732.649 doses da vacina contra a Covid, sendo 315.659 (primeira dose), 275.977 (segunda dose) e 141.013 (terceira dose).