19 de março de 2026
CRÔNICA

Conversa aleatória

Por Baltazar Gonçalves | especial para o GCN
| Tempo de leitura: 2 min

O mundo vai acabar de novo? É tanta notícia, né? Como fica a sua cabeça? Como se eu mesmo fosse acabar, com a mente “embarulhada”, cheia de vazios e um desassossego crescente proporcional à falta de esperança. Sei como é, milhão de pensamentos e nada parece fazer sentido. Bem assim, é bom saber que você me entende. Precisa reconhecer que você não é especial, um ser único isolado, o que te afeta é feito para nos modelar igualmente expostos a estímulos conflitantes. Então nossa opinião não conta? Talvez na hora do voto, mas até lá somos distorcidos até o bagaço.

"Tá" falando da eleição no fim do ano? Também. Tantos partidos e pouca escolha. Esse talvez seja o dilema contemporâneo, a paralisia frente a múltiplas escolhas.

Se a vida fosse um concurso, eu chutaria as respostas. Muita gente prefere o chute, existe essa ditadura da opinião exigindo que todos se manifestem em tudo, mesmo sem saber onde e quando estamos no tabuleiro do jogo. Entendo sua comparação, confesso ser partidário da roleta russa e contar com a sorte.

Cuidado com a elasticidade da metáfora, quem chega pode entender você do lado de Putin. Os lados do conflito são a mesma moeda fria, quem sabe conjuntura de períodos maiores não foca no agora distorcido das mídias. kkk. "Tá" rindo de quê? Enquanto te ouvia, misturei bomba H com Dia D, e TNT com promoção da 775.

Começamos essa conversa falando exatamente disso, da invasão alienígena dos pensamentos aleatórios programados. Por falar nisso, seu lenga-lenga é conversa aleatória ou tem algum plano, tipo: “agora vou dizer o que realmente importa”. Relaxa, é só uma conversa despretensiosa para você esvaziar sua mente cheia de vazios e desassossego crescente proporcional à falta de esperança.

Uma conversa sem maldade é quando um burro abaixa a orelha se outro fala? Nunca foi assim e nem será, essa coisa de silêncio interior é coisa de filosofia zen. Ah, mano, para; tem mestre zen apelando, outro dia vi anúncio da maçonaria se vendendo no TikTok, não quero mais saber da monja no reels do "insta" nem no short-story do YouTube, ou nos anúncios da PUC, onde Carnal purpurina espírito evoluído para vender mais.

Parece que aprendeu o poder da ironia. Esse papo está muito distorcido, muito cabeça, eu só te chamei porque precisava falar de mim a quem escutasse sem cobrar, profissional da escuta, tipo psicólogo sem vida no sangue e compaixão nos olhos, não funciona. Pensa demais não fazer nada e quer escuta? Quero conselho. Agora burro aconselha ao invés de baixar orelhas? kkkkkkkk. Sua risada me assusta com tantos kas.