“Você aceita PIX?”. Esta é uma das perguntas mais ouvidas durante o pagamento de uma compra em Franca. Independentemente do comércio, a ferramenta “salvou” os vendedores na hora do troco e os compradores que não andam com dinheiro na carteira.
“De dez pessoas, oito são por PIX. O PIX chegou para ficar, sem ele quebra nós. Fica bem mais prático, e o dinheiro cai na conta na hora”, diz o ambulante Lucas Vitor de Almeida, de 26 anos.
Lucas sentiu que as vendas aumentaram em 30% desde que começou a utilizar a ferramenta há três meses. No calçadão da praça Barão, no Centro da cidade, o ambulante vende panos e cobertores que custam entre R$ 20 e R$ 120.
Se engana quem acha que Lucas é o único ambulante que utiliza a ferramenta. Aleff Pereira Felix, de 22 anos, calcula que 80% de suas vendas são pelo PIX. “Por volta de umas dez pessoas por dia”.
Aleff aponta a segurança como aliada nas transações pelas chaves. “A pessoa envia o PIX, já fala que está enviando, mostra o comprovante e é segurança para os dois lados”. O jovem vende camisetas e bermudas na faixa de R$ 30, também na praça Barão.
As facilidades são vistas não apenas pelos vendedores, mas pelos clientes também. “Com o PIX temos a vantagem de conseguir realizar transações bancárias em diferentes bancos e sem custo. É uma ótima ferramenta para transferência”, explica Elaine Cristina Fernandes, de 45 anos.
Até mesmo formas tradicionais de pagamento estão ficando para trás. “Devido à burocracia para efetuar pagamentos via cartão e troca de cheque, com o PIX temos a facilidade na palma da mão”.
Para Jean Carlos Soares, de 19 anos, além de todos os itens citados anteriormente, o PIX evita possíveis furtos para vendedores e compradores. “Não fica com muito dinheiro no bolso”. Sem contar o famoso troco. “Ajudou muito o ambulante sobre o troco. Todos estão usando aqui na praça”.
O morador do City Petrópolis, na zona Norte, vende pimentas e temperos. Grande parte dos clientes pagam com dinheiro ou PIX. “Hoje em dia é com o PIX e um pouco com o dinheiro também. Por volta de 5 a 10 pessoas, depende do movimento do dia”.
Em números
Houve um crescimento de 330% em 14 meses, sendo 408.695.017 chaves abertas, segundo a última atualização do BCB. Destas, 100.999.607 chaves estão abertas com CPF. O número representa quase metade da população brasileira que está em 213 milhões, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A reportagem perguntou ao BCB sobre a quantidade de chaves PIX abertas em Franca. O banco informou que não tem essa informação por município, apenas nacionalmente.
Procon
Caso as transações não sejam concluídas ou outros problemas aconteçam, Murari explica o processo que o consumidor precisar fazer. “Pode recorrer, inicialmente, ao próprio banco. Caso não tenha sucesso, pode ser o Procon. Caso persista o problema, pode entrar com uma ação no Judiciário tranquilamente”.
Ainda segundo Murari, algumas reclamações no Procon são comuns. “Temos notícias da demora da transação de não conseguir concluir em determinados momentos”.
O Procon de Franca recebe por volta de cinco reclamações por semana, sendo as mais comuns o erro na hora de colocar a chave PIX e demora na transação.
Não demorou muito para o PIX ganhar a confiança e a preferência da população. O lançamento aconteceu em novembro de 2020 pelo BCB (Banco Central do Brasil). Em seu primeiro mês de atividade, 95 milhões de chaves foram criadas.
Apesar das facilidades oferecidas, os usuários precisam tomar alguns cuidados. “O que temos observado é que alguns consumidores estão errando na hora de digitar a chave do beneficiário. Também existem alguns aproveitadores, na verdade, bandidos, que estão aproveitando desse tipo de ferramenta para ter vantagens”, diz o coordenador do Procon-SP em Franca, Luís Murari.