A Quaresma começou na última quarta-feira, 2, chamada pelos católicos de Quarta-feira de Cinzas. Este é o início do período que antecede a Páscoa, principal celebração cristã, e representa uma época de preparação, principalmente com jejum, caridade e oração.
É costume que no primeiro dia da Quaresma seja feito o jejum de carne. No entanto, fiéis aproveitam todo o período para se abdicar de algo, seja um alimento, bebida ou hábito.
Roseli Aparecida Rocioli, de 55 anos, é assistente social e desde os 26 anos de idade faz alguma penitência durante esta época. Há quase 30 anos, ela não come nenhum tipo de carne, mesmo que de peixe. “Quando falam que pode comer peixe, eu até brinco. Falo que como, desde que me provem que peixe é abobrinha, porque para mim é carne.”
Ao longo de sua vida, Roseli já fez penitência de vários alimentos, como ovo, leite e durante a Semana Santa, jejum só com pão e água. Para ela, a recompensa por se abdicar de algo presente no dia a dia é estar mais próxima de Deus.
“O que mais me motiva é estar em sintonia. Parece que eu consigo ficar com Jesus os 40 dias, no sofrimento dele e me preparando para a Semana Santa. Na hora que chega a Páscoa, é uma alegria muito grande. É como se deixasse a pessoa velha para trás e se renovasse. É uma purificação todos os anos”, disse.
Dulce Koller, de 50 anos, também é assistente social. A católica já fez penitência de alguns de seus alimentos preferidos, bebidas alcóolicas e, o mais curioso, ficou sem fazer as unhas do pé e mão por 40 dias.
“A questão da penitência é diretamente ligada à religião. Se eu não tivesse uma, provavelmente não faria. A Quaresma tem um sentido muito profundo, que é você renunciar as coisas do mundo, abrir mão daquilo que você gosta e fazer um oferecimento a Deus”, falou.
Dulce Koller faz penitência todos os anos no período da Quaresma
Dulce também destacou que, para ela, ter um domínio sobre o que fazer ou não é uma força muito grande que este período proporciona. “Você deixa de fazer por um bem maior. É incrível, você se sente capaz de ter um autodomínio, saber dizer não ao que não me convém”.
João César Martini, diácono da Sé Catedral Nossa Senhora da Conceição, já viu diversos tipos de penitências. “Tem pessoas que ficam sem café, sem comida, abrem mão de fazer compras ou coisas que fazem parte da vida cotidiana. Tudo isso são práticas de penitência”.
O diácono explicou que, para a Igreja Católica, quando os fiéis se propõem a fazer uma penitência e esta gera uma economia, esta economia não pode ser em benefício próprio, mas sim do outro. “De preferência, claro, no campo da caridade. Se ela gera uma economia para mim, tenho que destinar ao final da Quaresma à caridade”.
O “tripé”
Segundo o bispo Dom Paulo Roberto Beloto, o período de preparação tem três práticas essenciais: a oração, o jejum ou abstinência e a esmola.
“Também a participação na igreja, uma boa confissão, o cultivo da alegria, pureza, sobriedade, prática da justiça, amor, perdão, tolerância...”, falou o bispo.
Bispo Dom Paulo destaca os pilares para uma boa preparação para a Páscoa
Na celebração de Quarta-feira de Cinzas, Dom Paulo Roberto sugeriu aos fiéis um “jejum” de redes sociais. Ficar pela metade de um dia sem acesso a celular ou computador, já que é algo muito atual às necessidades.
Já o Papa Francisco destacou que as orações estejam voltadas, neste ano, à paz na Ucrânia. “Nossa oração e jejum serão uma súplica pela paz na Ucrânia, recordando que a paz no mundo inicia sempre com nossa conversão pessoal, no seguimento de Cristo”, publicou em seu perfil no Twitter.