Representantes da Rússia e da Ucrânia devem fazer uma terceira rodada de negociações neste final de semana, informou o governo alemão em comunicado após telefonema entre o premiê Olaf Scholz e o presidente russo, Vladimir Putin, segundo a agência Reuters.
As conversas têm ocorrido em Belarus. A primeira delas terminou sem acordo e, na segunda, as duas partes concordaram em abrir corredores para evacuar a população civil de áreas de combate.
Segundo a agência russa Interfax, Putin disse a Scholz estar pronto para o diálogo desde que a Ucrânia aceite suas principais demandas, o que até o momento não dá sinais de ocorrer. Seriam elas a desmilitarização e a chamada desnazificação da Ucrânia, além do reconhecimento da Criméia e da soberania das chamadas repúblicas do leste do país.
Censura militar
A Rússia instaurou a censura militar na prática à imprensa operando no país. A Duma (Câmara baixa do Parlamento) aprovou nesta sexta (4) lei prevendo até 15 anos de prisão a jornalistas que divulgarem o que o governo considerar fake news sobre a guerra na Ucrânia.
A lei agora precisa ser ratificada pelo Conselho da Federação, equivalente ao Senado, e enviada para o presidente Vladimir Putin sancionar, o que é certo que ocorrerá. Mas seus efeitos já são vistos.
A rede britânica BBC, que havia tido o acesso a seu site restrito pelo governo russo pela cobertura crítica do conflito, anunciou que vai suspender sua operação na Rússia devido ao risco de prisão de seus profissionais.
"A segurança do pessoal está acima de tudo e não estamos preparados para expô-los ao risco de ação criminal só por fazerem o seu trabalho. Nossos jornalistas na Ucrânia e em todo o mundo continuarão a reportar a invasão", afirmou em comunicado Tim Davie, o diretor-geral da rede.
O jornal independente Novaia Gazeta (novo jornal), editado pelo co-ganhador do Nobel da Paz de 2021 Dmitri Muratov, publicou em suas redes que iria retirar todo o conteúdo relacionado à ação de Putin.