10 de julho de 2026
RETORNO

Na semana dos 'bixos', mais de 20 mil universitários movimentam e aquecem economia

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Dirceu Garcia/GCN
Jeferson Santos tem um restaurante em frente à Unifran: 'foi como se tivesse fechado o restaurante por dois anos'

Com diversas opções de cursos de graduação, Franca acolhe ao menos 20 mil estudantes de nível superior todos os anos. As três principais universidades – Unifran, Uni-Facef e Faculdade de Direito – fizeram com que bares, restaurantes, comércio e setor imobiliário se concentrassem ao redor dessas instituições.

Os últimos dois anos, no entanto, foram desanimadores para uma parte dos empresários. Por conta da pandemia, os estudantes voltaram para suas cidades e cortaram despesas do dia a dia.

Jeferson Santos é proprietário do Laranjinha, restaurante ao lado da Unifran. Todo o seu trabalho é direcionado ao público universitário, e com a ausência dos alunos na pandemia, ele quase viu seu negócio fechar as portas.

“Foi como se tivesse fechado o restaurante por dois anos. Foram momentos bem difíceis. O setor de restaurante já foi muito prejudicado, e para a gente, que tem como foco os estudantes, foi ainda pior”, conta Jeferson.

O empresário começou a retomar o ritmo comum de seu negócio somente nesta semana, já que alguns estudantes começaram a frequentar a universidade presencialmente. Apesar de um certo movimento nos últimos dias, as aulas serão retomadas de fato após o Carnaval, o que causa boas expectativas.

“A última coisa que voltou nesta pandemia foram as aulas, e a gente também, por consequência. Essa primeira semana já deu uma aquecida, porque não tinha movimento nenhum. Agora já tem uns 40% de movimento, bem diferente do 0% que a gente estava há um mês”.

Ao contrário do comércio e ramo alimentício, o setor imobiliário não foi tão impactado com a saída dos estudantes. Grande parte deles mantiveram os contratos, mesmo não estando na cidade. E com um novo ano letivo se iniciando, o setor prevê ainda mais lucro.

“Vou falar que foi uma minoria que devolveu os imóveis que estavam alugados, porque todos acreditaram que isso seria passageiro, então não sentimos esse baque. A grande maioria que continuou pagando o aluguel chorou, pediu desconto, mas ninguém pediu a isenção total neste período”, disse Noêmia Pires Lemos, proprietária da Imobiliária Lemos.

Onde os universitários preferem morar?
De acordo com Noêmia, os alunos – e pais dos alunos, que são os que bancam grande parte das despesas – optam por segurança e por lugares próximos das universidades. Quase todos dividem casa ou apartamento e os gastos. Dividindo, podem chegar a R$ 1,5 mil, em média, por imóvel no total. Já os que moram sozinhos arcam com um gasto de até R$ 1,2 mil.

“Nunca sozinhos. É raro um que aluga sozinho, ainda mais agora... Os que estavam com imóvel, mantiveram, e para os novos universitários que chegaram, não tem nem mercadoria para atender toda a procura, então eles optam por dividir”, falou Noêmia.

É o caso do Luiz Augusto Vieira, de 19 anos. O estudante de Direito é natural de Ribeirão Preto e, depois de um ano de aulas remotas, se mudou para Franca para estudar presencialmente na Faculdade de Direito, o "Brejão". Luiz preferiu integrar-se a uma república, tanto pelas economias, mas principalmente pelos novos amigos.

“Não conhecia quase ninguém de Franca, então fiquei pensando se iria valer a pena morar em apartamento sozinho, porque pra me socializar mais e fazer amizade seria bem mais difícil. Eu mandei mensagem para a Chapéu de Palha (república) e já fui conversando com um dos moradores. A vibe bateu e eu passei essa semana por lá, a semana do 'bixo'. Desde que o dia que cheguei, não me arrependo. É muito bom para fazer amizade, pessoal foi muito gente boa”, falou Luiz.

Nessa nova rotina, Luiz vai dividir o quarto com mais um colega de faculdade. Na república, que fica a pouquíssimos minutos a pé da universidade, moram seis estudantes. “Temos alguém que ajuda na limpeza de segunda a sexta-feira. Nós vamos ao mercado, e ela também cozinha para a gente... Temos uma mordomia a mais na nossa república”, brincou.

Diferentemente de Luiz, Lígia Cardoso, de 18 anos, preferiu morar sozinha. A estudante de Fonoaudiologia da Unifran veio de Conceição da Aparecida, uma cidade de Minas Gerais que tem pouco mais de dez mil habitantes. Segundo a jovem, não dividir o apartamento foi pensado para quando a família vier visitá-la.

“Eu optei por morar sozinha porque recebo meus pais a cada 15 dias. Daqui até minha cidade são 195 quilômetros, então é mais viável que eles venham até mim do que eu ir a eles. Encontrei pessoas que queriam dividir apartamento, porém, como são apartamentos pequenos, não seria confortável para a pessoa que fosse morar comigo receber minha família aqui”, disse Lígia, que afirma lidar bem morando sozinha.

Mesmo não dividindo as despesas, a estudante colocou os gastos na ponta do lápis e ainda assim preferiu ficar na cidade, próximo à universidade e morando sozinha. “Eu prestei outros vestibulares além da Unifran e por fim sairia mais em conta fazer uma faculdade privada, pagando todos os custos, do que fazer uma pública morando em Campinas ou São Paulo. O custo de vida estava saindo o triplo do valor de uma mensalidade aqui em Franca”.

As três universidades começam a receber a maioria dos alunos de forma presencial logo após o Carnaval. Estudantes, comerciantes e empresários guardam expectativas para o dia 7 de março, primeira segunda-feira pós feriadão.