Em contraste com uma região da cidade que vem recebendo importantes investimentos nos últimos anos, o prédio chamado de "esqueleto", localizado na avenida Adhemar Polo Filho, no Jardim Lima, em Franca, chama a atenção de quem passa pela localidade, não só pelos seus sete pavimentos, como também pelo seu abandono.
A obra inacabada há cerca de três décadas, já não combina mais com a valorização que outras construções trouxeram ao local. Aos arredores do "esqueleto" há minisshopping, unidade do McDonald’s, várias concessionárias de carros de marcas importantes, edifícios comerciais e residenciais, academias, restaurantes e inúmeros pontos comerciais. Além de tudo isso, o prédio fica a 2 km de uma das entradas de Franca, por onde passam muitas pessoas que chegam para visitar a cidade.
Mas o pesadelo de quem convive com os transtornos criados pela obra, como moradores de rua frequentando o local, sujeira, drogas e ocorrências policiais, pode chegar ao fim. Nesta semana, a conclusão de um laudo técnico realizado pela empresa vencedora de uma licitação contratada pela Prefeitura, apontou que a estrutura do prédio “está apta para ser utilizada”.
Desse modo, o poder público poderá optar pela conclusão da obra. Durante sua campanha, o atual prefeito Alexandre Ferreira (MDB) prometeu resolver o problema “de um jeito ou de outro”.
Segundo o secretário de Infraestrutura da Prefeitura, Nicola Rossano, o processo foi encaminhado para a Procuradoria Geral do Município e o órgão fará uma análise das possibilidades legais de destinação do prédio.
“Recebo o laudo de maneira satisfatória, tendo em vista que o prédio terá efetivamente uma destinação e ocupação adequada, inclusive contribuindo para a valorização comercial de outros empreendimentos importantes implantados naquela região”, disse Nicola.
O setor imobiliário avança a passos largos naquela localidade com o interesse de incorporadoras que buscam investir na cidade. O término da obra ajudaria a alavancar ainda mais os negócios naquele região. “Aquela região, Parque Francal, Jardim Lima, Residencial Paraíso, é a mais procurada por incorporadoras que se interessam a vir para Franca”, revela Alexandre Agnello, diretor da Agnello Imóveis.
Agnello espera que o poder público possa resolver de vez o imbróglio envolvendo a obra. “Franca é a bola da vez no setor imobiliário. Não podemos deixar que essa obra permaneça inacabada num lugar de excelente localização e muito valorizado.”
O prédio
A área localizada no Jardim Lima pertencia ao município e foi doada para o Estado em 1980, para instalação de uma unidade da Secretaria da Fazenda. A obra teve início em 1991. Em 2006, com parte da estrutura pronta, o imóvel foi repassado para o Tribunal Regional Federal. O novo plano previa a instalação da sede da Justiça Federal.
No final de 2017, o prédio foi devolvido para o município. O então prefeito Gilson de Souza (DEM) disse que pretendia construir uma unidade de saúde voltada para o público feminino, mas a ideia não saiu do papel. O prédio conta com uma área construída de 7.443,69 m², possui 7 pavimentos e um subsolo. O terreno possui uma área de 1.597 m².