08 de julho de 2026
LÍGIA FREITAS

Não concordo, Senhora Dirce!

Por Lígia Freitas | especial para GCN
| Tempo de leitura: 1 min

Procurei seu nome no texto, deve ser um homem, pudera, ah não, Dirce, esse é o nome da minha indignação, não imaginei que uma mulher poderia faltar tanto assim com a sororidade! Certamente a senhora não é mãe, ou se é, ouso dizer que não mergulhou nas águas da maternidade. A senhora bem sabe que não se consegue pedir a um filho pequeno compreensão, como se fosse um cachorro passível de adestramento, um filho não é um robô, que se move ao nosso bel prazer, com botões de liga e desliga para o trabalho, pesquisa, descanso e aconchego.

Qualquer mulher pode sim enlouquecer diante da maternidade, verdade, é mais pesarosa para as desprovidas de recursos financeiros, para as mães de jornada dupla, tripla, mas ainda assim, qualquer mulher pode sim enlouquecer diante da maternidade. Basta se abrir, se jogar, se deixar ferir, basta tirar a máscara para que seu filho veja a atmosfera misteriosa e ambígua que é o amor incondicional.

A infância é doce, suave, lúdica, alegre, cheirosa e ponto? Não, a infância não tem ponto final, é reticência, movimento, a infância se move em direção a um abismo sem fim, um filho nasce, nasce também um encontro com a própria sombra (como diz Laura Gutman), nasce o desconhecido, aquilo que estava quieto e adormecido levanta, feito o pó debaixo do tapete, o nariz espirra, dá coceira, cegueira, batedeira, e até disritmia.

A maternidade só não atinge quem não se aprofunda nesse oceano de emoções, que bagunça o cabelo, dá calafrios e balança os pilares de sustentação… Tem mar sim na MAteRnidade, senhora Dirce, e quem está no rasinho não consegue entender o porquê de uma onda que chega de mansinho derrubar todos os banhistas de supetão.