10 de julho de 2026
SOBRARAM VAGAS

Concurso de diretores: 'Insegurança, desgaste do concurso e salário estão pesando'

Por Higor Goulart | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução/Live GCN
O presidente do Conselho Municipal de Educação, Wander Rossi

As aulas da Rede Municipal de Ensino começaram no último dia 9 de fevereiro, sem diretores em cada uma das 40 escolas municipais. Uma semana depois, apenas 16 servidores foram aprovados em processo seletivo exclusivo para servidores da Prefeitura e 24 escolas ficaram sem ninguém para ocupar o cargo. Tudo isso, com o ano letivo já em andamento.

Com 80 inscritos para o processo, a lista divulgada no Diário Oficial da última quarta-feira, 16, chamou a atenção pela baixa quantidade de inscritos e de aprovados. Seguindo as regras do edital, 1,3 mil educadores poderiam se inscrever.

Para o presidente do Conselho Municipal de Educação, Wander Rossi, o baixo interesse para a função se deu pela insegurança gerada pelo concurso. “O processo seletivo não é algo fácil para quem está prestando. Existe um desgaste, e a única garantia é ficar apenas dois anos no cargo.”

Além desta questão, o salário oferecido para ocupar a função, em torno de R$ 5,3 mil, não se tornou um grande atrativo para os servidores habilitados à inscrição. “Temos professores que trabalham na Prefeitura de Franca e tem um duplo vínculo com outro local, fazendo com que o salário seja praticamente o mesmo. Então, o salário não é um atrativo para a Rede.”

De acordo com Wander, o Conselho não teve retorno sobre próximos processos seletivos para aprovação, mas, se suas estimativas estiverem corretas, novos nomes só devem aparecer em abril.

“O edital do processo seletivo em andamento foi publicado dia 30 de dezembro. Então, foram 50 dias para os aprovados assumirem o cargo. Num provável novo próximo seletivo, com possibilidade de ser colocado em abril, nós ficaríamos com 24 escolas até abril nessa situação.”

Apesar da possibilidade de um novo concurso, Wander não enxerga que haverá uma mudança no interesse da Rede. “Nós temos muitos profissionais da educação experientes. Só que vários fatores não despertaram interesse nessas pessoas. De repente, num concurso público que aumenta o interesse, tenho certeza que muitas pessoas da Rede se ofereceriam”, disse. “Só que entendemos que existe uma lei, que não pode ser mudada. Se forem fazer diferente, precisa novamente passar pela Câmara”, completou Wander.

Enquanto apenas 16 servidores estão aptos a exercer o cargo, a Secretaria de Educação escolheu nomes para que ocupem a função interina nas escolhas que ficaram sem diretores. “Atualmente, a Secretaria de Educação designou algumas pessoas do quadro do magistério para essa função. Mas, legalmente, eles não são diretores e não podem assinar documentos, por exemplo.”

"Esses servidores que estão designados nessa função têm também um cargo a cumprir. Eles têm uma sala a que foram atribuídos. Então, além das trocas na direção, tem também as trocas na sala de aula. Tudo isso em um ano letivo que está em andamento”, finalizou Wander.