Um dia após agressões envolvendo fiscais da Prefeitura e ambulantes na praça central de Franca, um grupo de vendedores esteve na sessão da Câmara Municipal, nesta terça-feira, 15, pedindo mudança na lei para poderem trabalhar na cidade com toda documentação regularizada.
O ambulante Amadeu Pereira Neto, 67, que se envolveu em uma confusão durante a fiscalização e acabou agredido com uma barra de ferro na cabeça pelo agente Carlos Roberto Muller Sanches, esteve presente juntamente com sua mulher e dois filhos.
A filha Marinéia Pereira usou a Tribuna Livre para mostrar a indignação da família com a agressão ao seu pai, que trabalha na praça Nossa Senhora da Conceição há mais de 20 anos.
"Meu pai foi atacado por trás com uma barra de ferro. Era para meu pai estar morto. O laudo médico indica a gravidade da agressão", informou ela.
Amadeu recebeu sete pontos na cabeça. “Meu pai está muito abalado. Estamos sem dormir. Meu pai trabalha nesse ramo há 35 anos e é muito conhecido em Franca e região. Ele é um trabalhador e faz muito tempo que está tentando regularizar e não consegue. Graças a Deus, ele está vivo.”
Amadeu disse que busca regularizar sua situação para seguir trabalhando como vendedor na praça. “Estou aqui reivindicando meu direito de trabalhar. Não só o meu, mas o direito de todos os ambulantes. Dependo desse trabalho para manter minha casa, para sobreviver, com a venda de máscaras e guarda-chuvas”, disse o ambulante, que também já trabalhou como fotógrafo.
O vereador Gilson Pelizaro (PT) destacou que a Câmara precisa fazer um requerimento coletivo para que o caso seja apurado. “Não podemos aceitar abusos. Esperamos que a investigação seja firme e providências tomadas pela administração pública. O prefeito já deu uma resposta à população, anunciando a afastamento do fiscal e que tudo seja apurado”, disse o vereador.
“Faz tempo que estamos tentando regularizar o comércio de ambulantes na cidade. Os agentes estão sendo truculentos nas ações que vêm realizando em Franca. Esperamos que isso não aconteça mais em Franca. É revoltante”, disse Zezinho Cabeleireiro (PP).
“Violência jamais. Essa fiscalização deveria ter iniciado há anos. Sabemos que os ambulantes querem regularizar suas situações, mas vemos uma inércia do poder público. Tem que ter respeito, principalmente numa pandemia”, destacou Della Motta (PODE).
“Não podemos esquecer que houve uma agressão de ambas as partes. Amadeu também agrediu dois servidores públicos. Mas uma pancada dessa poderia resultar em danos maiores”, disse Pastor Palamoni (PSD).
“Houve erros dos dois lados. Conheço o Amadeu há muito tempo, mas ele ficou nervoso ao ver os fiscais levando sua barraca. Mas a pessoa também precisa levar o pão de cada dia para casa, por isso, precisa regularizar a situação dos ambulantes com urgência”, disse Donizete da Farmácia (MDB).
Na segunda-feira mesmo, o prefeito Alexandre Ferreira (MDB) informou o afastamento do agente fiscal de suas funções externas, prometendo apuração dos fatos.