10 de julho de 2026
TRABALHO INFANTIL

'Ninguém tem que dar esmola para criança', diz padre Júlio Lancelotti

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Padre Júlio Lancelotti é ativista dos direitos humanos

A Prefeitura lançou uma campanha com o slogan "Pagar também é explorar". O projeto busca coibir motoristas de comprarem ou aceitarem serviços de crianças e adolescentes nas ruas e avenidas de Franca.

"Não dar dinheiro a criança é correto, para que ela não tenha isso como trabalho. Ninguém tem que dar esmola para a criança, nem o cidadão, nem a Prefeitura”, diz o padre Júlio Lancelotti.

Conhecido pela sua atuação como ativista dos direitos humanos, Lancelotti concorda com a campanha da administração municipal de Franca, mas faz ressalvas. "Tem que garantir que essas crianças tenham alimentação, vestuário, saúde, educação e proteção social, um lugar para morar com sua família."

Condições que não estão sendo dadas para centenas de jovens na cidade. A Secretaria Municipal de Ação Social calculou 195 casos de exploração contra menores que estavam trabalhando sem regulamentação nas ruas e semáforos em 2021.

Para combater esta prática, a pasta criou, por exemplo, o programa Minha Chance Jovem, que oferece cursos profissionalizantes e auxílio mensal de R$ 300. Apesar dos projetos, ainda é comum ver crianças e adolescentes se arriscando para ganhar uns “trocados”.

Para os jovens que se recusam a deixar as ruas, Lancelotti defende o trabalho dos educadores sociais. "É preciso ter educadores que convivam com os adolescentes. Não é pela imposição, mas pela persuasão. É um processo educativo."

"Todas as famílias têm dificuldades com os adolescentes. Os adolescentes da classe A de Franca também têm problemas com o grupo familiar. Eles também não aceitam tudo que o grupo familiar impõe para eles”, finalizou.

Recentemente, Padre Júlio Lancelotti esteve envolvido em uma polêmica ligada a Franca, ao criticar a Padaria Estrela, por fixar uma placa pedindo para que os clientes não deem esmolas, e a Catedral Nossa Senhora da Conceição, por colocar grades em seu entorno para evitar que moradores de rua se instalasse no local. O religioso acusou a padaria e a igreja de "aporofobia", que é aversão ou fobia em relação a pessoas pobres.

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