Preocupado com a evolução dos casos, internações e mortes por covid-19 em Franca, o promotor de Justiça da Saúde, Alex Facciolo, pede uma medida mais eficaz no enfrentamento da pandemia: o passaporte vacinal. Segundo ele, a recomendação ao prefeito Alexandre Ferreira (MDB) já foi feita e agora aguarda uma resposta. “A situação é realmente grave e as pessoas não estão conscientes.”
Em ocasiões anteriores, o prefeito se mostrou contra adotar o passaporte vacinal na cidade. No entanto, o promotor afirma que vai trabalhar para convencê-lo.
“Ninguém aguenta mais isolamento social, fechar bar ou comércio. Por isso, estou propondo ao prefeito para que ele faça o passaporte vacinal. Desta forma, a gente incentiva a vacinação e, a partir do momento que você condiciona a pessoa a ir a um lugar que ela gosta, ela, se quiser, vai vacinar”, disse Facciolo.
Essa é uma medida necessária, segundo o promotor, justamente porque Franca apresenta números exorbitantes em relação à covid-19 – entre eles, os 100% de lotação nas UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) na rede pública e privada, além dos pacientes no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” à espera de uma transferência para hospital.
O promotor, que também faz parte do Comitê de Enfrentamento da Covid-19 no município, afirmou que vem trabalhando para a abertura de novos leitos em toda a região e que estava prestes a ingressar com uma ação contra o Governo do Estado de São Paulo para agilizar a instalação de novas vagas.
“Nesta semana, houve a abertura de alguns leitos e nas próximas semanas vai abrir 10 na região e 12 na Santa Casa de Franca. Isso fez com que eu segurasse minha ação civil pública, que ia ingressar contra o Estado para melhor gerenciar essa regulação.”
Preocupação
Facciolo vê o momento atual como “grave”. O promotor diz que é preciso conscientização de todos. “A população precisa ficar mais preocupada. Sei que todos cansaram de covid, mas já temos o dobro de infectados que o mesmo período do ano passado, praticamente o mesmo número de mortes do ano passado. Assusta.”
Para o promotor, a vacinação é o principal fator para amenizar a pandemia. “Só vamos incentivar a vacinação se condicionar a entrada aos lugares às pessoas vacinadas. O passaporte, a mim, parece ser uma boa medida. Transmite a ideia de que as coisas não estão bem”, disse.