11 de julho de 2026
COVID-19

Em cinco dias, semana tem mais casos de covid-19 que os últimos três meses

Por Higor Goulart | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Pedro Baccelli/GCN
Movimento no Pronto-Socorro 'Dr. Álvaro Azzuz' na última segunda-feira, 10

Mariana Ferreira Silva tem 23 anos e é fisioterapeuta. Por conta da sua profissão, constantemente realiza testes de covid-19, justamente para evitar contaminar as pessoas com quem tem contato. Nenhum deles deu positivo, até a última quarta-feira, 12. Com a recente explosão de casos da variante Ômicron, a jovem não conseguiu escapar.

Tudo começou com um cansaço na noite da última segunda-feira, 10. No dia seguinte, a fisioterapeuta amanheceu com tosse e dor de garganta. Como já é de costume se testar após qualquer possibilidade de infecção, na quarta-feira, ela agendou um teste e em quatro horas o resultado saiu. “Como não tive contato com ninguém que testou positivo, não achei que fosse. Por ser fisioterapeuta, tem um rodízio muito grande de pessoas. Por medo de ser covid e infectar essas pessoas, eu decidi fazer o teste na quarta-feira e quatro horas depois saiu o resultado positivo”.

Na hora do resultado, Mariana, que estava junto de sua mãe, afirma ter se assustado. Até pesquisou para ter certeza que o termo ‘reagente’ estava relacionado ao resultado positivo. “Na hora que vi o resultado, deu aquele baque. A gente não acredita que é. Eu fiz mais por preocupação, para ter tranquilidade de seguir minhas aulas. Mas, na hora que eu e minha mãe vimos, não acreditamos”.

Desde então, a fisioterapeuta se isolou. Está de home-office, sem contato até com sua própria família. Nem ao hospital foi, justamente para evitar contato com outras pessoas. Apesar dos sintomas leves, ela conta que ainda tem medo do vírus, mas agradece a vacinação. “Apesar de já ter sido vacinado com a dose adicional, a gente já fica receoso. Mesmo que os sintomas estejam leves, ainda dá aquele medo”.

Fábio Henrique Mariano, de 19 anos, é assistente de e-commerce. Assim como Mariana, o jovem passou por toda pandemia sem ter se contaminado. Naturalmente, como toda população, passou a ir até lugares com maior fluxo de pessoas. Um deles, os jogos da Copa São Paulo de Futebol Jr, no Lanchão. Por lá, o rapaz acredita ter se contaminado. “Acredito que possa ter me contaminado na empresa que trabalho ou nos jogos da Copa São Paulo de Futebol Jr, onde muitas pessoas estavam sem máscara”.

Os primeiros sintomas de Fábio começaram na segunda-feira. De cara, então, ele se isolou. Dois dias depois, fez o teste, que deu positivo. “Comecei tendo dor no corpo e, posteriormente, febre bem alta no dia 10. Na própria segunda, já mandei mensagem para o meu coordenador para explicar pra ele como eu estava me sentindo. Durante a terça-feira fui conversando com ele e trabalhei home-office. Na quarta-feira, foi marcado o teste e nisso já estava isolado em casa”.

Como logo de cara se isolou, Fábio não precisou ir até o hospital. Mas seus sintomas foram piorando e na sexta-feira, 14, ele decidiu procurar o médico. Foi quando ele se assustou e percebeu a quantidade de pessoas que estão se contaminando pelo vírus. “Fui ao hospital e ao chegar lá fiquei até meio confuso se poderia entrar, porque havia uma grande quantidade de pessoas esperando na parte de fora. Ver o hospital dessa maneira é assustador, porque se você não está com covid e vai até lá para procurar ajuda, você fica angustiando de ver tantas pessoas espirrando e tossindo”.

Casos como o de Fábio e Marina têm sido comuns nessas primeiras semanas de janeiro. Somente nesta última semana, de segunda até sexta, 1.359 casos foram registrados em Franca. A quantidade é maior do que a quantidade de casos de outubro, novembro e dezembro de 2021 somados. Juntos, os três meses registraram 1.304 casos.

Pelos hospitais, seja da rede pública ou particular, a situação também tem sido complicada. Segundo dados da Secretaria de Saúde, entre os dias 10 e 13 de janeiro, 4.981 pessoas passaram por atendimento no Pronto-Socorro ‘Dr. Álvaro Azzuz’. Média de 1,2 mil pacientes por dia.

A quantidade de pacientes tem sido tão assustadora que o prefeito Alexandre Ferreira (MDB) anunciou novas medidas de enfrentamento na última quinta-feira, 13. A partir desta próxima segunda-feira, 17, três UBSs passam a atender exclusivamente casos com sintomas de Covid e síndrome de Gripe, além de fazerem teste de Covid. São elas: Jardim Luiza, Santa Clara e Brasilândia. Os atendimentos serão das 7h às 17h.

Além da situação crítica na rede pública, os hospitais particulares também têm sofrido. No hospital Unimed/São Joaquim, o presidente Daniel Haber precisou alertar os clientes e colaboradores. Com mais de cem profissionais da saúde afastados com o vírus, o atendimento no hospital não tem dado conta e cada vez mais pessoas tem ido em busca do pronto-atendimento.

Segundo Haber, nem o pior dia do ano passado chegou próximo do fluxo de pacientes que o hospital tem atendido atualmente em seu Centro de Triagem. “No pior momento no ano passado, nós atendemos no nosso Centro de Triagem um máximo de 350 pacientes em um dia. Já atendemos neste ano, no mesmo local, mais de 500 pacientes em um único dia”.

Outro ponto que preocupa o presidente é a contaminação de profissionais do próprio hospital. Atualmente, mais de 110 profissionais de saúde da instituição estão afastados, causando dificuldades no atendimento. “Tudo indica que isso não deve melhorar nas próximas semanas. O que é preocupante, porque estamos com uma falta de profissionais da saúde. Temos toda a estrutura e preparação, mas sem os profissionais da saúde isso não vai adiantar nada”.