A AARR (Associação dos Amigos da Represa de Rifaina) pretende adotar providências jurídicas e políticas em defesa da represa Jaguara. A informação é do presidente da entidade, Neto Bozelli, após a manifestação que começou nas águas da represa e continuou pelas principais ruas da cidade, no domingo, 2.
“Não podemos deixar aumentar a poluição da represa. Existe uma dezena de métodos de se criar peixes sem poluir nada”, disse ele.
A ação no domingo se deu em protesto contra uma possível ampliação das atividades da Fider Pescados, empresa do Grupo MCassab, que utiliza fazendas aquáticas para a criação de tilápias na represa.
Bozelli avalia que a manifestação foi um sucesso. “Foi muito boa. Conseguimos alcançar o pretendido. Devido à chuva, não tivemos muitas embarcações, porém tivemos bastante carros e fizemos uma passeata boa na cidade, explicando para o povo, panfletando. O recado foi dado”.
A AARR alega que a empresa está ampliando a produção de peixes em tanque-rede, consequentemente, segundo a entidade, aumentando a presença de detritos e fezes e poluindo a represa e o rio. Bozelli disse que a empresa amplia sucessivamente sua atuação e que isso também estaria reduzindo o leito navegável da represa, prejudicando atividades de lazer e turismo.
Bozelli afirmou ainda que a associação pretende adotar outras providências, agora jurídicas e políticas, contra a poluição da represa. “Não podemos deixar aumentar a poluição da represa. Existe uma dezena de métodos de se criar peixes sem poluir nada”, disse.
O que diz a empresa
A MCassab atua naquela região há 12 anos e afirmou, por meio de sua assessoria, que “é amiga de Rifaina e respeita todas as manifestações”.
A empresa disse que monitora sua produção, respeita a capacidade de suporte do reservatório e a qualidade da água e confirma que planeja sua expansão em outros reservatórios num futuro próximo, preservando a operação do frigorífico e a geração de empregos em Rifaina e região.
A MCassab cita ainda que a qualidade da água da represa é ótima e que avaliações periódicas feitas nos últimos 12 anos por certificadora de credibilidade confirmam isso.
A empresa afirmou também que obedece a legislação federal e estadual e dispõe de todas as licenças exigidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) para produção de até 19.200 toneladas de peixes por ano na represa Jaguara.
A capacidade total de produção da represa é de 24.000 toneladas/ano, como definido pela ANA (Agência Nacional de Águas) com base em metodologia científica que considera o volume do reservatório e o fluxo de água e a represa de Jaguara tem 34,6 quilômetros quadrados de água. O projeto utiliza menos de 1% dessa área.
A empresa citou também que em seu tempo de atuação em Rifaina investiu mais de R$ 200 milhões na cidade e programa investimentos de mais R$ 50 milhões. Sobre a geração de empregos, disse que gera 520 empregos diretos e mais de 2.500 indiretos em Rifaina e nas cidades vizinhas e que 100 novos empregos serão gerados em 2022.