As centrais de entregas com motociclistas estão sofrendo gradualmente com a queda de mão-de-obra por parte de entregadores. Alguns locais tiveram uma redução de cerca de 70% de seus trabalhadores.
Os proprietários e gerentes das centrais explicam que a queda vem acontecendo há 6 meses devido a alta nos combustíveis – o que torna inviável para muitos um lucro razoável com o serviço. Na véspera de Natal, o atendimento ficou muito difícil.
Na central de entregas Aliança Moto e Taxi, a situação está complicada. No início do ano eram 17 trabalhadores. Com a alta do combustível, houve uma queda de cerca de 70% dos trabalhadores.
“A diminuição dos motociclista começou por volta de setembro. Antes eram uns 17 entregadores, hoje são apenas 5, caiu demais. Na véspera de Natal a demanda estava alta demais. Tivemos até que desligar o telefone da central em um momento. Eram poucos motoristas com muitos pedidos dos clientes”, relembra Dyulio Eurides Pimenta, atendente da empresa.
Na empresa Hermínio Motors, o gerente Gustavo Moisés explica que a demanda de pedidos é muito grande, e na véspera de Natal a situação foi ainda mais complicada por conta do menor número de entregadores.
Ele conta que muitos motoboys têm mudado de emprego, pois com o aumento dos combustíveis se tornou o serviço inviável para alguns. “Hoje são cerca de 60 motoqueiros na central, antes eram por volta de 90. Trabalhamos no dia 24 até às 15h e houve 380 ligações, coisa que acontece durante as 8h às 23h em um dia comum. Em meio período, foi a mesma demanda de um dia inteiro. Foi uma correria danada. Sentimos muito a falta de mais entregadores”, diz Gustavo Moisés.
A véspera de Natal não teve movimento intenso apenas na Hermínio Motors. Outras centrais de entrega também tiveram problemas. Alguns temem que a mesma correria aconteça no último dia de 2021.
“No Natal foi uma correria justamente pela falta de mão de obra, foram muitas ligações para poucos motoristas. No Ano Novo, temo que a situação seja a mesma de muito serviço para poucas pessoas. O combustível está caro né? Acabamos ficando sem mão de obra todos os dias, não só nos feriados, por conta disso nem atendemos mais no período noturno”, disse Ubiratan Gonçalves, proprietário da central de entregas Entregg.
O preço do combustível em Franca
No mês de junho – quando houve o lockdown em Franca -, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) aponta uma média de R$5,56 na gasolina comum da cidade. No último registro de 19 a 25 de dezembro, o mesmo combustível tem média de R$6,46, uma diferença de 90 centavos nesse intervalo de 6 meses.
O etanol também teve um aumento de 90 centavos de junho até a dezemro. No mês de junho, a ANP registrava uma média de R$ 4,26 no etanol. No último levantamento feito pela agência, de 19 a 25 de dezembro, o valor médio do etanol está R$5,16 em Franca. O etanol do município é o 6º mais caro do estado de São Paulo no último balanço.
De acordo com o levantamento de janeiro de 2021 da ANP, a gasolina comum média na cidade tinha valor de R$ 4,36. Já o etanol era encontrado no preço médio de R$ 3,16 nos postos de combustíveis francanos.