11 de julho de 2026
SAÚDE

Surto de gripe faz dobrar procura por atendimento nos hospitais de Franca

Por Melissa Toledo | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/Prefeitura de Franca
Criança é atendida no PS Infantil

Febre, dor de garganta, dor de cabeça, fraqueza, tosse e um combo de outros sintomas que de longe - e também de perto - lembram, e muito, os provocados pelo novo coronavírus. Mas não é covid-19. Nesta terça-feira, 28, as redes de saúde pública e privada confirmaram que se registra, também em Franca, o cenário que acontece em todo o Brasil: um surto de doença respiratória, causado por diversos vírus, dentre eles, o vírus gripal Influenza A H3N2, está afetando a saúde de pessoas de todas as idades.

Por definição publicada pelo Instituto Butantan, surto é um aumento localizado do número de casos de uma doença. É o que está acontecendo e o que até motivou a Unimed Franca e o hospital São Joaquim a criarem medidas para agilizar atendimentos.

A operadora informou que, nas últimas semanas, seu hospital local teve um aumento de 50% nos atendimentos na Unidade de Emergência em adultos, enquanto os atendimentos pediátricos quase que triplicaram, se comparado ao mesmo período no mês de novembro.

Por conta disso, diz a Unimed, o tempo de espera na unidade de emergência tem ficado em torno de duas horas, com pico de fluxo entre as 19 e 23 horas. Portanto, para quem tiver opção, é melhor evitar buscar atendimento neste horário, já que, segundo a médica Gabriela Ravagnani, infectologista da Unimed Franca, se trata de um vírus respiratório e as principais formas de evitar sua circulação incluem o distanciamento social, além do uso de máscaras e da higienização das mãos.

Os principais sintomas da infecção viral por Influenza A H3N2, explica a médica, são: febre, coriza, tosse, dor de garganta, podendo estar associados com dor no corpo, dor de cabeça e dor nas articulações, além de fraqueza.

A médica atribui a disseminação e o ganho de força dessa nova cepa gripal justamente ao afrouxamento das medidas contra a covid-19.

Assim como a Unimed, a operadora de saúde Hapvida confirmou que, nas últimas semanas, em Franca, houve um aumento nas consultas relacionadas às síndromes gripais, tanto para adultos, como para o público infantil. “Estes atendimentos não estão relacionados à covid-19. Embora tenha tido um crescimento em consultas relacionadas às síndromes gripais, não houve aumento nas internações nem registro de mortes”, citou a administradora do Hospital Regional, por meio de sua assessoria de comunicação.

Rede pública

O secretário municipal de Saúde de Franca, Lucas Souza, confirmou que, também na rede de atendimento público da cidade, os serviços de urgência e emergência, principalmente do Pronto-socorro “Doutor Álvaro Azzuz” e do Pronto-socorro Infantil “Doutor Magid Bachur Filho”, têm recebido grande número de pacientes com queixas relacionadas a sintomas gripais e respiratórios, como febre, tosse, dor de garganta, coriza e mal-estar.

Segundo ele, só nesta segunda-feira, 28, foram atendidas aproximadamente 360 crianças no pronto-socorro infantil e 1.150 pessoas no "Álvaro Azzuz".

“Essa procura no serviço de urgência tem provocado, ainda que todos os esforços da gestão estejam direcionados para reforçar as equipes das unidades, espera. Fica o alerta à população para que, com esse aumento no número de doenças respiratórias, mais do que nunca, é importantíssimo que continuem seguindo os protocolos sanitários, como higienização das mãos com álcool em gel e água e sabão, além da utilização de máscaras e evitar aglomerações”, disse.

Vacina contra a influenza

Embora a nova cepa H3N2 ainda não tenha sido incluída na composição das vacinas contra a gripe que são aplicadas atualmente, especialistas recomendam se vacinar mesmo assim, uma vez que o imunizante protege de outras cepas.

No entanto, o secretário de Saúde de Franca disse que o município não possui em estoque a vacina contra a influenza. “Trata-se de uma campanha estadual, coordenada pela Secretaria Estadual de Saúde, e depende do envio de novas doses da vacina pelo Estado de São Paulo para atender a população que ainda não foi vacinada”, afirmou Souza.

Segundo ele, o município aplicou, durante a campanha de 2021, mais de 76 mil doses da vacina contra influenza. “Atingimos aproximadamente 65% do público-alvo, como crianças, gestantes, trabalhadores de saúde, puérperas, idosos, professores, entre outros.”