10 de julho de 2026
UM NATAL MISERÁVEL

'Hoje não tenho nada para dar para eles', diz mãe de cinco filhos

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Dirceu Garcia/GCN
Midian Santos, 32 anos, mãe de cinco filhos: luta diária e solidariedade da igreja para o básico

“Tem dia que não tem como manter a esperança. Pensa até que Deus esqueceu de você”. Já imaginou um Natal sem grandes reuniões familiares, sem pratos típicos desta época do ano, sem presentes e sem sequer saber se vai ter algum alimento para dar aos filhos? Infelizmente, esta é uma realidade comum de milhares de famílias em todo o Brasil. Franca não é exceção à regra.

Lídia Mara, de 36 anos, enfrenta um dia de cada vez. Ela acorda sem saber se vai conseguir um prato de comida para colocar na mesa onde comem cinco filhos, no Parque das Esmeraldas. Também não sabe se seu filho mais novo, de oito anos, vai passar sem ter uma crise de epilepsia, problema que tenta tratar com fortes remédios.

O que é o Natal para essa família, que mesmo diante das dificuldades, se esforça para se manter unida e no caminho do bem? Para Lídia, a data não costuma ser muito diferente dos dias comuns, com exceção do Natal de 2020, quando a família conseguiu, através de doação, um peru, salada e presente para os filhos. “Foi o dia mais feliz da minha vida. Quer deixar uma mãe feliz é fazer os seus filhos felizes. Neste dia tivemos uma ceia”, disse Lídia.

Para este ano, até agora, a perspectiva é ruim. “Não temos nem planos”, disse Lídia. Desempregada, ela faz apenas bicos de faxina quando o filho não convulsiona. “Não dá para saber o dia de amanhã. Hoje eu não tenho nada para dar para eles. Estão tristes, mas fazer o que?”.

Lídia Mara, 36, também mãe de cinco filhos: "hoje eu não tenho nada para dar para eles. Fazer o que?"

A família, que vive de doações, já passou por diversos episódios tristes. Lídia conta que depende da caridade das pessoas e que sem isso não teria condições para manter os filhos. “Já chegou o dia de não ter nada para os meus filhos. Fiz fubá com água para eles comerem”, relembra, entristecida. “Já passei fome e nós chegamos a comer resto dos outros. Foi horrível. Eu entrei em desespero mesmo”.

As dificuldades financeiras estão longe de serem as únicos. Lídia tem que lidar também com os problemas de saúde. Da mãe, que tem depressão e toma medicamento forte para a ansiedade. Da filha de 14 anos, que também sofre com ansiedade. Uma outra, de 13, tem deficiência e frequenta a Apae. O mais velho, que poderia ajudá-la, tem 23 anos mas, segundo a mãe, tem "muitos esquecimentos e juízo de uma criança de oito anos”.

Esgotada, Lídia conta que ainda segura as pontas por conta dos filhos. “Eu acho que estou viva, firme e forte hoje por causa dos meus filhos, porque se não fosse eles, eu não sei o que seria. Corro para um lado, a porta está fechada, corro para o outro, é porta na sua cara. A gente vai perdendo a esperança”.

Lidia na cozinha com as panelas vazias e apenas leite na despensa: "(já) fiz fubá com água para eles comerem". Mas o pior momento foi quando comeram restos. "Foi horrível!"

Quem também conta com doações para manter a família é Midian Soares dos Santos, de 32 anos, que mora em Restinga com cinco filhos. Ela conta com a ajuda do pai das crianças para pagar o aluguel da casa, mas é a arrecadação de cestas básicas da igreja que costuma alimentar os meninos – dois deles, irmãos gêmeos.

Midian já sofreu em muitos Natais, mas acredita que este será “razoável”, porque recebeu doações para compor um arremedo de ceia. “É aquela coisa, os meninos querem presente, mas não tem como. Em outros (anos), as crianças pediram as coisas, mas era só um arroz com feijão, mesmo”, falou.

Até mesmo passeios tiveram que ser cancelados, por conta da condição. “Queria ir para Franca ver as luzes e o Papai Noel, mas não tinha como levar”. Quando a igreja não consegue arrecadar as cestas básicas, Midian tem que procurar outra alternativa para sustentar a casa. Nem sempre consegue ir além do arroz com feijão.

Se você quiser ajudar, doações podem ser feitas através dos telefones 16 99325-6332 (Lídia, de Franca) e 16 99372-1489 (Midian, de Restinga).