10 de julho de 2026
CASO THÁBATA GONZÁLES

Delegado pede prisão preventiva de policial militar que matou a ex-mulher; PM fala em 'tiro acidental'

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução/Redes Sociais
Douglas Teixeira, policial militar de 29 anos, investigado pela morte da ex-mulher Thabata Gonzáles

Douglas Teixeira, policial militar que matou a tiros a ex-mulher no dia 18 de novembro, foi formalmente indiciado e apresentado na DIG (Delegacia de Investigações Gerais) em Franca nesta quarta-feira, 15.

O PM deu a sua versão sobre o que teria acontecido na madrugada em que Thábata Gonzáles, de 34 anos, foi assassinada, versão essa “não digerida” pela Polícia Civil, que solicitou a prisão preventiva de Douglas.

O delegado da DIG, Márcio Murari, relatou que a história era recheada de inconsistências e que a versão foi instruída pelo advogado do policial militar. “Ele apresentou um depoimento que diz que os dois tiveram uma relação de três anos e que brigavam como todo casal, mas que há cerca de quatro ou cinco meses ela (Thábata) começou a ter um comportamento de ciúmes mais incisivo, e que a partir de então o casal começou a ter problemas”, falou Murari.

Ainda de acordo com a versão de Douglas Teixeira, no dia em que Thábata foi morta, ele teria entrado às 14 horas no trabalho e saído às 2h45. Ela teria então ligado para o policial, querendo saber onde ele se encontrava. Quando Douglas chegou em casa, os dois tiveram uma discussão porque Thábata não teria acreditado que ele ainda estava no trabalho até aquele horário.

“Segundo ele, os dois saíram então da casa e foram em direção ao batalhão no carro dela, para comprovar que teria saído de lá às 2h45. Os dois seguiram sentido Parque Universitário, passaram pelos fundos da universidade. Disse que possuía uma outra arma no interior da residência e que Thábata teria pegado essa arma e falado em se matar. Na sequência, apontou a arma para ele. Nesse momento, ele reagiu, e quando foi tentar tomar a arma dela, houve um disparo acidental”, disse o delegado, relembrando a versão apresentada por Douglas.

No entanto, Murari afirma que os laudos periciais descartam a possibilidade de um disparo acidental como o relatado pelo assassino de Thábata. O primeiro indício de que a versão de Douglas não é verdadeira se dá pelas posições em que cada um ocupava no carro. Ele estava sentado no banco do motorista e Thábata no banco do passageiro.

“Ela tomou um tiro do lado direito, sendo que ele estava sentado no volante do veículo. Se houve um disparo acidental, teria que ter sido pelo lado esquerdo. A perícia constatou que inclusive há um furo no vidro do para-brisa do lado direito. Só isso aí já derruba a tese de que ele alega que foi um disparo acidental”.

Além disso, um exame necroscópico constatou lesões no rosto da vítima, inclusive com fratura de ossos. De acordo com Douglas, quando ele tentou desarmar a ex-mulher, ela bateu o rosto no vidro. “É claro que isso não seria suficiente para ocasionar a fratura”, contestou Murari.

Diante da versão e do encerramento do inquérito policial, a DIG entrou com o pedido de prisão preventiva de Douglas para que ele responda o processo até a fase final do julgamento.