10 de julho de 2026
NATAL

Presépio elétrico de 16 metros quadrados encanta visitantes em Batatais

Por Melissa Toledo | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Melissa Toledo/GCN
O presépio faz referência à tradição cristã e encanta pelo simbolismo, simplicidade e criatividade

Sentada em um banco de madeira, uma boneca de porcelana de época faz movimentos com a cabeça enquanto lê um livro. Na capa, o título da obra: “Presépio Elétrico Lázaro Cesarino”. As páginas são imaginárias, mas a história é real. A boneca é uma das centenas de peças que compõem um presépio de 16 metros quadrados instalado em Batatais, que retrata momentos do cotidiano da época do nascimento do Menino Jesus, mescladas com cenas contemporâneas do universo infantil. Lázaro Cesarino é o criador.

Apaixonado pela referência à tradição cristã, durante décadas ele colecionou, criou e arrebanhou peças para um presépio que armava em sua casa no Bairro Altino Arantes, em uma montagem que já impressiona pela riqueza de detalhes.

Motorista por profissão, nas horas vagas ele criava engenhocas, conectava fios, ajustava engrenagens e dava “vida” aos personagens, fazendo tudo se mexer.

Mas, em 2017, tudo parou. Seu Lázaro morreu, e manjedouras, enfeites e o mecanismo de funcionamento das peças foram encaixotados.

Inconformada com a interrupção do projeto de seu Lázaro, mas sem habilidade para fazer a engenhoca funcionar, a família dele decidiu que aquele sonho não poderia também morrer. Foi então que outra família, igualmente apaixonada pela arte sacra natalina, se dispôs a não apenas a dar continuidade ao trabalho de seu Lázaro, como a ampliar e melhor estruturar a exposição, mantendo-a viva e em movimento.

Por dois anos, os novos proprietários das peças, membros da família Cotrim, montaram os cenários em um ambiente interno de uma residência.

Mas sabendo que sempre foi elementar no projeto de Lázaro que a interação do público com sua arte fechava um ciclo e completava o teatro natalino, os novos proprietários decidiram construir uma estrutura adequada para abrigar o presépio e receber o público.

“Não dava para abrir a casa onde moramos para o público. Foi quando decidimos construir um cômodo com porta de abertura para a rua, especialmente para abrigar o presépio”, disse Roseli Galante dos Santos.

Na porta da casa-presépio, é ela quem dá as boas-vindas aos visitantes e passa duas horas no período da noite mostrando a exposição, explicando as origens do presépio, a razão de cada cena e o funcionamento das engrenagens.

Até o Natal, ela estima que mais 1,2 mil pessoas devam ter passado pelo presépio instalado na rua Santos Di Lello, 405. Rose se baseia em uma contagem informal feita no ano passado, quando em uma fase mais recrudescida da pandemia não era possível deixar as pessoas entrarem e circularem livremente, e muita gente sequer foi ao local, por estar se resguardando em casa.

Cenas do presépio

Todas as peças originais do presépio criado por seu Lázaro foram limpas ou restauradas e a montagem final ganhou novos elementos.

Réplicas das imagens do Menino Jesus, Maria e José, os reis magos e animais simbolizando o nascimento de Jesus numa estrebaria, em Belém, estão lá.

Mas a criatividade de Lázaro foi além. Cenas da simplicidade da vida no campo e incontáveis retratos do universo infantil dão um colorido e conotação especial à obra.

Há desde de uma divertida roda gigante e um carrossel com bonecas, até pescadores em lagos e homens trabalhando no campo. “Guiados por uma estrela”, mas movidos a eletricidade, os três Reis Magos com mirra, ouro e incenso são transportados sobre em trilhos ao som de monjolos despejando água. Casais de bonecos se divertem em um baile dançante. Há crianças em miniaturas brincando por todos os cantos.

Estruturados com resina, plástico, madeira, materiais recicláveis, elementos de natureza morta, tecidos, ferragens e papéis, quase todos os elementos se mexem.

Visitação

O Presépio Elétrico de Batatais pode ser visitado das 20h às 22h, de quinta-feira a domingo, até o dia 2 de janeiro, na rua Santos Di Lello, 405, próximo à saída para Franca pela rodovia Cândido Portinari.

A entrada é gratuita e os organizadores pedem para, quem quiser e puder, doar alimentos não perecíveis na visitação, que serão destinados a famílias em situação de vulnerabilidade.