10 de julho de 2026
ESPEROU NO BANHEIRO

'Minha mãe só foi encaminhada para a Santa Casa quando estava praticamente morta'

Por Higor Goulart | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Odete de Carvalho Lopes Mathias ficou três horas desfalecida no banheiro do Pronto-socorro 'Dr. Álvaro Azzuz'

A história da morte da idosa Odete de Carvalho Lopes Mathias, aos 62 anos, ganhou mais um capítulo. Após conseguir acesso ao prontuário de atendimento da idosa no Pronto-socorro Municipal "Dr. Álvaro Azzuz", seu filho Washington Mathias contesta a demora na solicitação de transferência até a Santa Casa de Franca. O pedido de prioridade foi feito apenas às 4h15 da última terça-feira, 30.

“A minha mãe só foi ser encaminhada para a Santa Casa depois das 4h, quando eles viram que o quadro dela era de urgência e estava praticamente morta, sendo que às 23h o médico já tinha todos os exames”, disse Washington, nesta segunda-feira, 6.

A paciente chegou a ficar três horas desfalecida no banheiro do PS, à espera de atendimento.

Conforme consta do documento, o médico clínico plantonista solicitou às 23h22 (dia 29 de novembro) exames na idosa. Apenas cinco horas depois, às 4h15 (30 de novembro), um outro médico pediu urgência na transferência de Odete para a Santa Casa de Franca. “Entro em contato com a Santa Casa solicitando prioridade no caso”, escreveu o médico no prontuário.

Odete foi transferida à Santa Casa às 5h29. Após dar entrada no hospital, sofreu uma primeira parada cardíaca. Foi então intubada e teve, novamente, outra parada cardíaca, não resistindo e morrendo às 8h25 da última terça-feira.

Segundo o secretário de Saúde, Lucas Souza, a solicitação de transferência pela Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde) para o hospital aconteceu horas antes.

“A paciente foi inserida na Cross, que é uma ferramenta do Estado que gerencia as transferências, por volta das 23h37 de segunda-feira, 29. O médico, após os resultados do exame, entendendo que o paciente demandava internação, imediatamente inseriu na Cross. Temos tudo isso documentado.”

Lucas explicou que o primeiro pedido não consta do prontuário por serem sistemas de registro diferentes. “O prontuário é registrado num sistema próprio do município. Temos todos os horários e tudo que o médico medicou ou prescreveu. E, por determinação do Estado, tem um portal que o município tem que entrar para solicitar a internação. Ele é online, que o médico entra com login e senha e coloca todas as informações”, explicou.

Sindicância

Após tamanha repercussão sobre os motivos que poderiam ter levado Odete à morte, com a família acusando o PS de omissão e negligência, uma sindicância foi aberta e está sendo investigada pela Controladoria Interna da Prefeitura e pela Comissão de Ética Médica do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo).

Para investigação, todos os documentos, como o prontuário médico e o pedido de internação pela Cross, foram apresentados pela Secretaria de Saúde. “Fizemos o encaminhamento imediato para a corregedoria e para Comissão de Ética Médica, para que eles possam fazer as investigações paralelas”, disse o secretário.

Segundo Lucas, membros da equipe plantonista da última segunda-feira e terça-feira começaram a ser ouvidos. “Já temos a informação de que alguns profissionais que estavam de plantão no dia foram chamados, para poder esclarecer o que aconteceu.” Quanto ao prazo, Lucas afirma que a conclusão virá “o mais breve possível”.